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Os gritos da Sexta-Feira 13

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Combustível básico de qualquer produção de terror no cinema, o som do grito ganha nova dimensão nesta Sexta-Feira 13, uma data associada a azar e mau agouro. Afinal, qualquer gato preto ou escada pode ser motivo para sustos e gritos.

Definido pelos dicionários como uma voz aguda e muito elevada, o grito é a personificação do espanto e do medo latente. Ele pode ser ouvido ao longe, como um berro, brado. Sem contar que é um dos principais componentes do terror, dando maior intensidade às cenas; ou irritando os espectadores quando em demasia.

Essa reação humana já se tornou até mesmo título de uma produção japonesa de 2002: O Grito (Ju-on, no título original). É a história de uma assistente social que recebe a tarefa de visitar uma família. Chegando lá, a jovem é amaldiçoada e perseguida por duas crianças: o pequeno Toshio e sua mãe, Kayako, uma mulher assassinada pelo marido.

Curiosamente, esse filme do diretor Takashi Shimizu não tem aqueles gritos histéricos dos filmes hollywoodianos. Na verdade, o tal grito aterrorizante é no mínimo curioso e bem diferente.

Dois anos depois, saiu uma versão norte-americana (The Grudge), sob a direção do mesmo cineasta japonês, mas com elenco ocidental.

Cena do filme japonês “O Grito” (Foto: Divulgação)

RAINHAS

Geralmente, sobra para as personagens femininas nas produções norte-americanas de terror o papel de vítimas e, principalmente, de gritadoras. Obviamente é uma visão misógina.

Entre as rainhas do grito, destacam-se atrizes como Jamie Lee Curtis (Halloween, de 1978), Janet Leigh (Psicose, de 1960) e Marilyn Burns (O Massacre da Serra Elétrica, de 1974).

Mas é preciso fazer a ressalva de que personagens vividas por Sigourney Weaver (Alien – O Oitavo Passageiro, de 1979) e a própria Lee Curtis não ficaram somente no grito indefeso. Elas tiveram atitude e empoderamento, enfrentando seus inimigos do mal nos respectivos filmes.

SILÊNCIO

Mas o universo do terror não vive apenas de gritos amedrontados ou amedrontadores. É possível tirar sustos e provocar reações a partir do silêncio.

É o caso da produção Um lugar silencioso (2018), que tem direção de John Krasinski. Em um futuro pós-apocalíptico, o planeta foi invadido por criaturas extraterrestes, verdadeiros predadores. Para escapar deles, os humanos não podem fazer qualquer tipo de barulho.

Trocando em miúdos, significa que não é aconselhável reações agudas e rocambolescas ao estilo das antigas rainhas do grito. A sobrevivência se dá na miúda.

Quadro O Grito é famoso pelas angustiantes linhas expressionistas e por ter se tornado referência para um emoji das redes sociais (Foto: Reprodução)

CULT

Claro que nem sempre o grito está relacionado a situações de medo e terror. Tirando aquela que você acabou de pensar (e é impublicável neste espaço), esse tipo de som também pode aparecer em filmes de arte.

Em 1972, o cultuado diretor sueco Ingmar Bergman lançou Gritos e Sussurros (o título em português para Viskningar Och Rop). Trata-se tão somente de um longa-metragem que se passa numa casa no campo, onde uma mulher está bastante enferma e recebe cuidados de suas duas irmãs e de uma empregada da família.

Ou melhor: parece a mais completa tradução de um percurso de imersão na alma humana levada a cabo pelo diretor, segundo o crítico Luiz Zanin Oricchio.

Sem ligação com o gênero do terror, a artista plástica Lili Teixeira tem em Guarapuava um interessante projeto denominado Pelo que você grita? (Foto: Arquivo/Correio)

ARTES

Saindo do campo do cinema, tornou-se popular o quadro pintado pelo norueguês Edvard Munch, O Grito. Em fortes linhas expressionistas, a tela sintetiza a angústia humana. A imagem é tão impactante que virou referência para um emoji muito utilizado em conversas nas redes sociais.

Em Guarapuava, a artista plástica Lili Teixeira tem um interessante projeto denominado Pelo que você grita?. Unindo fotografia e pintura, ela dá vazão ao estado de inquietude do ser humano.

E, pra terminar, os fãs da banda Ira! costumam entoar de cor a letra de Gritos na multidão, uma composição do guitarrista Edgard Scandurra.

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