Guarapuava, 19 de agosto de 2019
Opinião

A fim de pesquisar a fundo a percepção de um personagem que, com a própria existência, eternizou-se na e pela história dos Suábios do Danúbio de Entre Rios, o escritor Klaus Pettinger lançou mão de sua formação jornalística para realizar uma entrevista com o adolescente suábio Philipp “Schwabi” Schwabenbrauch

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Todo grande acontecimento é, invariavelmente, contado a partir de um ponto de vista. A fim de pesquisar a fundo a percepção de um personagem que, com a própria existência, eternizou-se na e pela história dos Suábios do Danúbio de Entre Rios, o escritor Klaus Pettinger lançou mão de sua formação jornalística para realizar uma entrevista com o adolescente suábio Philipp “Schwabi” Schwabenbrauch.

Para quem não conhece, trata-se de um coach renomado, especializado em mindsetting em história dos suábios e que, apesar de ter 16 anos de idade, vive há apenas um. Schwabi é protagonista do livro “O Sumiço do Hanomag”, do próprio Klaus Pettinger (lançado em 2018), e uma lenda viva de Entre Rios.

Acompanhe essa entrevista metalinguística franca, descontraída e exclusiva para o Correio do Cidadão.

Klaus Pettinger: Obrigado por aceitar falar conosco. Você não costuma conceder muitas entrevistas, Philipp. Por quê?

Philipp Schwabenbrauch: Por favor, pode me chamar de Schwabi. Schwabenbrauch significa, literalmente, “costume suábio”, mas prefiro meu apelido, que seria um diminutivo, uma corruptela de suábio. E é verdade, não concedo muitas entrevistas, pois sou um tímido que fala demais.

KP: Sorte a nossa, portanto. Como foi protagonizar seu primeiro livro?

PS: Oi?

KP: O seu primeiro livro... Você foi protagonista, não foi?

PS: A entrevista não era sobre minha aventura como detetive para desvendar o Sumiço do Hanomag?

KP: Justamente, sua aventura no liv... ah, sim! Entendo! Cof... Sim, Schwabi, como foi essa aventura na sua vida real?

PS: Bem, eu nem estava muito afim, sabe? Mas a diretora me chamou e disse que eu sou o cara, porque entendia tudo sobre a história suábia.

KP: Exato! Você é expert no assunto, não?

PS: Expert é meio démodé, digamos que eu possa fazer coaching de história dos Suábios do Danúbio, com mindsetting e tudo.

KP: E como foi sua aventura pelos 300 anos da história suábia?

PS: Incrível! Uma coisa é você pesquisar os acontecimentos superficialmente, outra é mergulhar de cabeça no século 18, sair nadando pelo Império Austro-Húngaro, fazer snorkel na Segunda Guerra Mundial, pular sete ondas na Áustria e emergir nos anos difíceis no Brasil.

KP: Você sempre fala assim, em metáforas?

PS: Eu evito, pois pode ocorrer de um elefante na sala de cristais ser o iceberg a afundar o titanic da comunicação.

KP: Oi?

PS: Nada, não...

KP: Bom, e o que mais te assuntou nessa aventura?

PS: Foi naquele momento em que eu... [CENSURADO - ALERTA DE SPOILER. Uma xícara de cenoura ralada, três xícaras de farinha de trigo...]

KP: Deve ter sido emocionante!

PS: Demais, felizmente tínhamos um norte, que era o mapa. Mas todos aqueles símbolos, sinais e códigos me deixaram intrigado. Pense num piá virado no guede com tantas informações!

KP: Virado no guede é uma expressão suábia?

PS: Pior que não, é guarapuavana mesmo, mas eu já gosto de utilizá-la.

KP: E como foi a sensação quando você segurou o mapa pela primeira vez?

PS: Foi um misto de úmido com sujo, já que o mapa foi encontrado caído na grama...

KP: Você curte trolar seus autores?

PS: Oi?

KP: Nada, não. E o Hanomag? Sumiu de verdade?

PS: Tá maluco?! Ele simplesmente evaporou! Foi uma eternidade e meia pra gente [CENSURADO - ALERTA DE SPOILER. E uma xícara de açúcar. Para a cobertura: leite condensado, chocolate meio-amargo...]

KP: Rapaz, juro que nem suspeitava!

PS: Pois é! Estou pensando em escrever um livro sobre essa aventura!

KP: Aposto que será um fenômeno! Se surgisse outra missão como essa, você aceitaria numa boa?

PS: Não vai ter outra missão, nós chumbamos o Hanomag muito bem, dessa vez...

KP: Não necessariamente do Hanomag. E se fosse outra missão para proteger a cultura suábia? Se, de repente, ninguém mais falasse o dialeto em Entre Rios, por exemplo?

PS: Quê?! Jornalista é tudo igual, mesmo! De onde vocês tiram esses fake news?

KP: Personagem folgado esse que eu criei...

PS: Oi?

KP: Nada, não. Outra coisa, e a Kathi, hein?

PS: O que tem?

KP: Vocês dois...?

PS: Que isso, senhor... como é mesmo seu nome?

KP: Klaus Pettinger.

PS: Engraçado, você não me é estranho... Bom, senhor Pintscher...

KP: Pett... enfim, e a Kathi?

PS: Uma palavra define: irmã.

KP: Seguindo nessa linha: em uma palavra, como você define o Sumiço do Hanomag?

PS: Desafiador.

KP: Uma inspiração?

PS: A vida e superação dos meus antepassados.

KP: Um arrependimento?

PS: Spoiler!

KP: Oi?

PS: É preciso ler o livro que escreverei.

KP: Philipp Schwabenbrauch, o nosso Schwabi, muito obrigado! Foi um prazer falar contigo.

PS: Imagina, seu Petkovic! Estamos sempre prontos pra ajudar.

KP: Tenho certeza disso!

PS: Espera! Posso perguntar só uma coisinha também?

KP: Claro, manda!

PS: De onde eu te conheço?

KP: Das entrelinhas da história, por assim dizer.

PS: Oi?!

KP: Metáfora, Schwabi, metáfora.

 

*************Klaus Pettinger é jornalista, escritor e o autor do romance ‘O Sumiço do Hanomag’. Neste espaço, ele conta semanalmente curiosidades e fatos históricos sobre a colônia suábia de Entre Rios. Para contato com o colunista: [email protected]; Facebook: klauspettinger

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