Guarapuava, 19 de fevereiro de 2020
#curta!

Com lançamento previsto para este mês de dezembro, em que o município completa 200 anos, a história deve integrar um universo em comum com outras publicações futuras, que virão em 2020; para o autor, é fundamental que os artistas trabalhem com os aspectos históricos da cidade

-

Não é exagero dizer que (quase) todos os guarapuavanos já ouviram a lenda de que uma gigantesca serpente repousa sob a região central da cidade. A cabeça debaixo da Catedral Nossa Senhora de Belém e a cauda sob a Lagoa das Lágrimas. 

A história nasceu há mais de um século e permanece no imaginário popular da famosa “terra do lobo bravo”, integrando um folclore que remonta à própria evolução de Guarapuava em um passado distante. 

Com uma nova roupagem, a tradicional lenda será tema do livro “Eurico e Tião e a Serpente da Lagoa”, escrito por Norbert Heinz e ilustrado por Miguel Luzz. A produção será lançada neste mês de dezembro, caindo como uma luva às comemorações dos 200 anos do município. 

A inspiração para recontar uma lenda tão conhecida na região foi justamente a dificuldade para encontrar fontes online, afirma Heinz, ressaltando a proximidade com o aniversário da cidade e o fato de o assunto ser trabalhado na rede municipal de ensino. 

“A ideia também era colocar nessas versões das histórias as pessoas que não são ‘os vencedores’. Colocar a questão dos índios, dos negros, aquilo que é nosso. Reforçar outras coisas que nós temos, e não só a ‘versão dos vencedores’”, explica Norbert.

A produção ao lado do ilustrador traz aspectos da fauna regional, como a presença do lobo-guará e da gralha-azul. “Levamos algum tempo para chegar nas personagens, conversamos muito”, explica o escritor, pontuando que este e outros livros integrarão um mesmo universo, e deverão trazer uma alternativa para trabalhar a história de Guarapuava. “É uma preocupação tornar mais atrativo esse assunto para as crianças”, acredita. 

ANIVERSÁRIO

A releitura da lenda começou a ser feita há mais de um ano, e Norbert conta que não tinha uma data específica para lançar o livro. A programação de comemorações dos 200 anos do município, contudo, ajudou os planos do escritor. 

Arquivo/Correio

“Eu procurei o pessoal da Casa da Cultura e falei que tinha uma história, e que tinha interesse em fazer uma parceria”, citando que há uma preocupação em deixar o livro acessível às escolas públicas, e que o prefácio foi escrito pela responsável pelo departamento de assuntos culturais, Rosevera Bernardim.

No ponto de vista de Heinz, é fundamental que outras pessoas passem a trabalhar com a história da cidade. “Não só novas versões, mas propondo estudos das versões que já existem, indo nas escolas, conversando sobre fatos históricos, e também coletando novas lendas, novos causos, e publicando isso”, ressaltando a riqueza da cultura oral na região. 

COLETIVIDADE

Há vários anos atuando como escritor, Norbert mantém um modelo de produção baseado na união com outros artistas. Ele afirma que seu objetivo é dar oportunidade para quem está começando, e revela que a maioria de suas obras foram ilustradas por pessoas que nunca tinham trabalhado com livros. 

Redação

“Eu sempre pago os artistas envolvidos, e eu acredito muito nessa questão da parceria, tanto com escritores quanto com desenhistas”, destacando a responsabilidade que tem em ajudar a formar outros artistas. “Nunca medindo quem tem mais ou menos currículo, mas o que pode dar certo”, finaliza.

Veja Também