Clássicos regionais marcaram história do interior paranaense
Da soja ao café, os ciclos econômicos do Estado batizaram a rivalidade entre cidades como Maringá e Londrina ou Toledo e Cascavel. Aproveitando que, neste domingo (2), tem Clássico da Soja, relembre parte desses momentos
Domingo (2 fevereiro) é dia de Clássico da Soja pela 5ª rodada do Campeonato Paranaense 2020. No Estádio Regional Arnaldo Busatto, Cascavel Clube Recreativo (o CCR) e Toledo revivem a rivalidade regional do Oeste do Estado.
Mas, para muitos puristas, o verdadeiro clássico era entre o finado Cascavel Esporte Clube e o Toledo Esporte Clube (que usou o nome Toledo Colônia Work). O tempo passou e a cidade cascavelense assistiu às mudanças no futebol com o surgimento do atual CCR, também conhecido como Serpente Tricolor.
Por isso, o termo Clássico da Soja sempre é resgatado pela crônica esportiva para dar uma pitadinha a mais na rivalidade entre as duas cidades do Oeste. Curiosamente, o Paranaense 2020 conta também com o FC Cascavel, a Serpente Aurinegra, entre os concorrentes ao título.
Dúvidas à parte, o importante é recordar que o campeonato estadual, no passado, foi palco de grandes duelos entre clubes do interior que representavam diferentes ciclos econômicos na agricultura paranaense.
O próprio clássico deste domingo (2) se refere à grande produção de soja da região Oeste, que continua de vento em popa.

CAFÉ
Na região Norte, Grêmio e Londrina Esporte Clube (LEC) protagonizaram grandes duelos na segunda metade do século 20, decidindo inclusive a taça do campeonato. Era o lendário Clássico do Café, com seu apogeu nas décadas de 70 e 80.
Nos anos de 1960, o Estado viveu o apogeu da produção cafeeira, graças às plantações no Norte, em cidades como Maringá, Marialva e Londrina, que concentravam o chamado ouro verde.
De lá pra cá, tanto o café quanto o famoso clássico arrefeceram. Em Londrina, o Tubarão passou por sucessivas crises, mas atualmente é uma equipe estruturada, com calendário o ano todo (Paranaense, Copa do Brasil e Brasileirão).
Já o Grêmio sumiu do mapa. Na verdade, existe uma disputa na Cidade Canção em torno do espólio de uma das vertentes do Alvinegro; sem contar também o ITGEM, que luta para resgatar o antigo Grêmio de Esportes Maringá (GEM), campeão paranaense de 1977.
Em 2014, Maringá Futebol Clube e LEC reviveram a grande rivalidade entre as duas cidades, decidindo novamente o campeonato. Deu Alviceleste campeão.
Esse último confronto configuraria um Clássico do Café? Ao pé da letra, não. O verdadeiro clássico sempre será Grêmio x Londrina, que está extinto no momento.

OUTROS
Segundo o blog Grêmio de Esportes Maringá (sem ligação com o ITGEM), em post de 30 de abril de 2013, o Clássico Algodão Doce envolvia dois clubes que desapareceram e ficaram somente na lembrança: União Bandeirante e Matsubara.
Era a rivalidade entre a cidade da cana-de-açúcar (Bandeirantes) e a do algodão (Cambará, onde o Matsubara jogou durante muito tempo).
Outro duelo famoso era o AraPuca, quando Arapongas e Apucarana se encontravam em alguma rodada. Com o clube da Cidade dos Pássaros fora da Divisão de Acesso de 2020, os torcedores não terão esse revival nesta temporada.
Em 2019, Associação Atlética Batel e Prudentópolis fizeram dois amistosos sob o título Clássico da Serra, pois Guarapuava e Prude ficam em região serrana.
E, hoje, se fala em Clássico do Veneno entre as equipes do CCR e do FC Cascavel. Além da falta de ligação econômica, é uma rivalidade com pouca história dentro do futebol local. Na verdade, o mais correto seria chamar simplesmente de dérbi.