Sequência musical de Eddie em ‘Stranger Things’ provoca frisson em torno de ‘Master of Puppets’ (Metallica)

Em cima de sua casa, no Mundo Invertido, personagem toca “Master of Puppets” (do álbum de mesmo nome) em sua guitarra plugada a uma aparelhagem dotada de watts de peso no último volume

Não é apenas do pop oitentista de Kate Bush que se alimenta o frisson em torno de “Stranger Things”, série de mega sucesso da plataforma de streaming Netflix. Também tem espaço para o rock pesado do Metallica.

O segundo volume da 4ª temporada do programa, que estreou no último dia 1º de julho, arrebatou headbangers, simpatizantes do heavy metal e neófitos com a sequência estrelada pelo personagem Eddie Munson (Joseph Quinn). Em cima de sua casa, no Mundo Invertido, ele toca “Master of Puppets” (do álbum de mesmo nome) em sua guitarra plugada a uma aparelhagem dotada de watts de peso no último volume.

Simplesmente épico! Sob o olhar de admiração de Dustin Henderson, que chega a “bater cabeça” com a performance, Eddie ataca com os riffs dessa canção lançada pelo Metallica em 1986. Claro que o som incorpora todos os instrumentos da banda, incluindo vocais. Por questões óbvias da narrativa, a música não é executada na íntegra; afinal, a faixa tem originalmente 8m35s. Mas o jovem guitarrista da série consegue ainda fazer o solo.

O ato fazia parte da estratégia para derrotar Vecna, que possui um exército de morcegos para se defender. Eddie espantou as criaturas demoníacas de perto do vilão.

Assim como “Running Up That Hill”, de Kate Bush, que voltou às paradas dos streamings de áudio e até mesmo do dial tradicional, o clássico do Metallica também despertou o interesse dos fãs de “Stranger Things” que passaram a escutá-la e deram aquele hype esperto.

Formação do Metallica nos anos de 1980 (Foto: Divulgação)

“Master of Puppets” iniciou esta segunda-feira (4) na posição nº 26 na parada global top 50 do Spotify e vem se tornando uma febre nos serviços de streaming. No Deezer, sua versão remasterizada está na posição 58 e subindo, tanto no Top USA quanto do Top Worldwide desta terça-feira (5).

Segundo o site da rádio 89 FM, “Master of Puppets” é considerado um dos álbuns mais cultuados do universo do rock. “Lançado em 24 de fevereiro de 1986, esse disco do Metallica é um trabalho emblemático por diversas razões, como o teor político de suas letras e a extrema sonoridade alcançada pela banda, além de ser o último álbum com o baixista Cliff Burton, que morreu em um acidente de ônibus na Suécia durante a turnê promocional”.

LETRA
Como é peculiar no heavy metal, a canção “Master of Puppets” (“mestre das marionetes”, em tradução livre) tem uma letra sombria sobre perda do controle e manipulação.

Confira um trecho, já vertido para o português: “Eu sou a sua fonte de autodestruição/Veias que pulsam com medo/Sugando a mais escura claridade/Comandando a construção da sua morte”. Ou este aqui: “Mestre das marionetes, estou controlando suas cordas/Confundindo sua mente e esmagando seus sonhos/Cego por mim, você não consegue ver nada/Bastar chamar meu nome, pois vou ouvir você gritar”.

“James Hetfield, líder da banda, fala da perda de controle e do uso de drogas na música. Os versos sombrios combinam com a atmosfera ameaçadora do Mundo Invertido”, diz o site da revista Rolling Stone Brasil, destacando que o vocalista afirmou à Thrasher Magazine que é uma canção que lida com drogas: “Como as coisas ficam de cabeça pra baixo, em vez de você assumir e fazer, as drogas controlam você”.

“A luta pelo controle também é um tema recorrente na série, conforme Vecna busca controlar e manipular as pessoas como fantoches”, acrescenta a Rolling Stone.

Arte da capa do álbum é de Don Brautigam (Foto: Reprodução)

ÁLBUM
Terceiro álbum de estúdio do Metallica, “Master of Puppets” (1986, gravadora Elektra Records) é considerado por fãs e crítica musical como um dos álbuns de thrash metal mais influentes e pesados. O material é composto por oito faixas, que foram gravadas em 1985, com grande trabalho de pré e pós-produção da banda.

No canal Kazagastão, o apresentador Gastão Moreira destaca, em vídeo de 2019, que o ano de 1986 consagrou o metal americano em resposta ao metal europeu que predominou no início dos anos de 1980. Assim, as bandas dos EUA lançaram petardos como “Reign in Blood”, do Slayer, e “Peace Sells… but Who’s Buying?”, do Megadeth; além, claro, do disco do Metallica.

“Foi também uma boa resposta ao glam metal da época. O Metallica quis fazer um álbum que fosse exatamente o oposto daquela tendência”, acrescentando que o “Master…” teve tanto impacto que influenciou na sonoridade de bandas daquela época, como é o caso do Pantera. “Era um álbum pretencioso. Eles [Metallica] queriam realmente provar para o mundo que eram capazes de fazer boas músicas”.

Inclusive, Gastão analisa que o Metallica estava no auge da maturidade, com todo mundo se entendendo na banda e produzindo músicas estruturadas e meticulosas. É um período de refinamento do estilo. “Master of Puppets” também consagrou a fase com o saudoso baixista Cliff Burton (que morreu aos 24 anos em um acidente na Suécia enquanto estava em uma turnê para promover o álbum). “Cara importantíssimo para o som do Metallica”, diz o apresentador.

Por exemplo, a faixa-título, que foi utilizada em “Stranger Things”, tem mais de oito minutos de duração, com profusão de riffs, solos e divisões. Aliás, quase na metade a faixa muda de andamento, com um dedilhado melódico e um solo inspirado; mas, em seguida, retoma a pancadaria.

E a arte da capa do disco, que se tornou icônica, foi feita pelo artista Don Brautigam.

REPERCUSSÃO
Em 2017, “Master of Puppets” foi eleito o 2º melhor álbum de metal de todos os tempos pela revista Rolling Stone, atrás apenas de “Paranoid”, do Black Sabbath. Em 2019, foi eleito o n°1 da lista de os 100 melhores álbuns de metal de todos os tempos pelo site Metal-Rules.

“Master of Puppets” foi eleito pela revista Kerrang! Klassic o sétimo maior álbum da história do Heavy Metal. A faixa-título é citada no livro “Rock and Roll: uma história social”, de Paul Friedlander, como longe de ser simplista, contendo mudanças na métrica, no andamento e na entonação e de padrões de arpejo.