Oscar ainda tem relevância?

Com mudanças de datas e prazos estendidos, a premiação mais glamorosa da Sétima Arte perdeu ainda mais relevância. O anúncio dos indicados da edição 2021 ocorreu na manhã desta segunda-feira (15 março)

Toda vez que chega a época de premiação da indústria cinematográfica em início de temporada, vem aquela clássica pergunta: “alguém ainda se importa com o Oscar?”.

Isso se torna ainda mais patente no momento em que o mundo continua de pernas para o ar por causa da pandemia. Há mais de um ano, as salas de cinema e o mundo do entretenimento sofrem com a Covid-19. Para evitar a contaminação, peças de teatro, sessões de filmes, shows musicais etc. estão limitados ou mesmo proibidos.

Nesse cenário, Hollywood foi obrigada a se adaptar. Os estúdios adiaram estreias ou escolheram as plataformas de streaming para desovar seus lançamentos.

Com mudanças de datas e prazos estendidos, a premiação mais popular e glamorosa da Sétima Arte, o Oscar, perdeu ainda mais relevância. Ou melhor, impacto. O anúncio dos indicados da edição 2021 ocorreu na manhã desta segunda-feira (15 março); mas parecia que era um acontecimento sem muita importância. Meio borocoxô, falando francamente.

Claro, teve destaque nos principais sites de notícia, foi capa dos cadernos culturais impressos no dia seguinte, teve comentários nas redes sociais. O script de sempre. Porém, com aquele sabor meio amargo.

Essa sensação é reforçada pelo fato de que os campeões de indicações são produções que entraram diretamente no streaming. Sinal dos tempos. A pandemia apenas acelerou um processo que vinha se construindo no horizonte: as salas de cinema serão trocadas pelas telinhas. Minto, pelos aplicativos de serviços como Netflix, Amazon Prime Video, Disney+, Paramount+, HBO Max, entre tantos.

Antigamente, era comum dizer que os filmes que não passavam pelo circuito de cinema e chegavam primeiro ao mercado de home video (VHS, DVDs, Blu-Ray) eram ruins. Hoje isso mudou, pois tem muito longa-metragem bom no streaming.

INDICADOS
Basta ver a lista de indicados da 93ª edição do Oscar. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou que “Mank”, de David Fincher, é o campeão de menções: dez. É uma produção original da Netflix, que passou pelos cinemas brasileiros em dezembro passado; mas hoje é exclusiva do streaming.

Além desse filme, a popular plataforma ainda está no páreo com “Os 7 de Chicago” (seis), “A Voz Suprema do Blues” (cinco) e “Destacamento Blood” (uma).

Concorrente da Netflix nesse universo de video on demand (VOD), a Amazon também figura no Oscar com suas produções próprias: “O Som do Silêncio” (seis indicações), “Uma Noite em Miami” (três) e “Borat: Fita de Cinema Seguinte” (duas).

“Mank”, de David Fincher, é o campeão de indicações: dez (Foto: Reprodução)

BRASIL
Como é de praxe, o Brasil está de fora do Oscar. Pelo 22º ano consecutivo, o país não concorrerá na categoria de filme internacional. Bom, essa notícia já havia sido anunciada no mês passado, quando o documentário “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, de Bárbara Paz, ficou de fora da lista de pré-indicados.

Porém, havia esperanças de “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que poderia pintar em outras categorias. Mas nada disso ocorreu.

SERVIÇO
Se você ainda dá bola para o Oscar, saiba que a cerimônia de premiação está marcada para o dia 25 de abril, dois meses mais tarde do que o habitual, devido à Covid-19.

Justamente por causa da pandemia, a cerimônia deve seguir a linha da festa do Globo de Ouro, que aconteceu no mês passado, numa versão híbrida com partes presenciais e outras, virtuais.

********Texto: Cris Nascimento, especial para CORREIO