Obra de Hector Babenco, que completaria 80 anos, está disponível no streaming

Nascido na Argentina em 1946, Hector Babenco é um dos diretores que melhor soube interpretar a realidade brasileira. Ele chegou ao Brasil em 1969, naturalizando-se. No próximo sábado, 7 janeiro, ele completaria 80 anos de vida. Infelizmente, faleceu em 13 de julho de 2016, aos 70 anos. Aliás, em 2026 são dez anos de sua morte.

Babenco começou no cinema em 1973, como produtor executivo e codiretor, com Roberto Farias, em “O Fabuloso Fittipaldi”. Em 1975, o cineasta de origem argentina dirigiu sua primeira ficção, “O Rei da Noite”. Ao longo da carreira, seguiram-se produções que se tornaram clássicos: “Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia” (1977), “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1981) e “O Beijo da Mulher-Aranha” (1985). Além de “Carandiru” (2003), uma das maiores bilheterias do cinema nacional, “Coração Iluminado” (1998), entre outros.

O olhar de Babenco captou personagens marginalizadas e atravessou memórias por meio de realismo e estilização delirante, produzindo obras únicas que souberam se identificar com milhões de espetadores.

Em São Paulo, a Cinemateca Brasileira toma como base a efeméride em torno dos 80 anos desse cineasta argentino-brasileiro para uma retrospectiva. Correalizada com a HB Filmes e com colaboração da MUBI, a mostra acontece entre 30 de janeiro e 13 de fevereiro. Estão sendo exibidas cópias restauradas de 11 longas-metragens, resultado de um projeto iniciado em 2016, sob coordenação de Patrícia de Filippi.

Para quem não mora na capital paulista ou que não poderá conferir essa retrospectiva, a dica para conhecer ou rever os filmes de Babenco é o streaming. Parte de sua obra está disponível para assinantes das plataformas de filmes.

Confira:

“O Rei da Noite” (1975 – 96 min): nos anos de 1940, em São Paulo, um boêmio se envolve em um caso de amor com duas filhas de uma amiga de sua mãe, mas acaba se casando com uma mulher incompatível, com quem briga o tempo todo.
Onde assistir: Globoplay e Netflix.

“Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia” (1977 – 120 min): a história de um famoso bandido brasileiro no começo dos anos de 1970.
Onde assistir: Globoplay, Netflix e Mubi.

“Pixote – A Lei do Mais Fraco” (1981 – 127 min): vivendo a dura realidade do menor carente em um reformatório de São Paulo e revoltados com as injustiças dos administradores da instituição, quatro meninos fogem e passam a conviver com uma prostituta, envolvendo-se com traficantes de drogas e trapaceiros.
Onde assistir: Globoplay, Netflix e Mubi.

“O Beijo da Mulher-Aranha” (1985 – 120 min): um homem gay e um político estão presos juntos e o homem narra para o político dois filmes inventados e conta sobre sua própria vida.
Onde assistir: Globoplay.

“Brincando nos campos do Senhor (1991 – 186 min): Dois missionários de uma pequena cidade são enviados para uma floresta na América do Sul para converter os índios locais.
Onde assistir: Globoplay.

“Coração Iluminado” (1996 – 132 min): Um homem volta para sua cidade natal Buenos Aires, depois de vinte anos para ver seu falecido pai. Ele busca também sua antiga grande paixão.
Onde assistir: Globoplay.

“Carandiru” (2003 – 145 min): baseado no livro de Drauzio Varella, esse filme se passa dentro da maior penitenciária do Brasil, onde acontece uma rebelião e a polícia mata 111 pessoas.
Onde assistir: Globoplay, Netflix e Mubi.

“O Passado” (2007 – 114 min): Um casal se separa depois de onze anos juntos. O homem segue sua vida com facilidade, mas tem que lidar com a perseguição de sua ex-mulher, que persegue também seu novo amor.
Onde assistir: Apple TV.

“Meu amigo Hindu” (2015 – 124 min): Diego é um diretor de cinema muito próximo da morte, cercado por pessoas que estão tendo problemas para lidar com seu atual estado de espírito tempestuoso. As chances são de que ele não vai sobreviver, mas se isso acontecer, significa que ele precisa reaprender a viver.
Onde assistir: Reserva Imovision.

Para tristeza dos cinéfilos, “Ironweed” (1987) segue fora do catálogo das plataformas oficiais de exibição. Trata-se de longa-metragem protagonizado por Jack Nicholson e Meryl Streep, que interpretam um casal de alcoólatras vivendo nas ruas, cercado de traumas e incertezas. É um filme que mergulha na melancolia e na desesperança, baseado no livro de William Kennedy.

“Ironweed” (1987) traz Jack Nicholson e Meryl Streep, em produção norte-americana (Foto: Reprodução)

DOCUMENTÁRIO
Além das películas dirigidas pelo cineasta argentino-brasileiro, vale destacar “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou”, documentário dirigido por Bárbara Paz, viúva dele.

“Nesta imersão amorosa na vida do cineasta, ele se desnuda, consciente, em situações íntimas e dolorosas. Revela medos e ansiedades, mas também memórias, reflexões e fabulações, num confronto entre vigor intelectual e fragilidade física que marcou sua vida. Do primeiro câncer, aos 38 até a morte, aos 70 anos, Babenco fez do cinema remédio e alimento para continuar vivendo. Tell me when I die é o primeiro filme de Bárbara Paz mas, também, de certa forma, a última obra de Hector – um filme sobre filmar para não morrer jamais”, diz a sinopse oficial.

A produção está disponível nos serviços de streaming Globoplay, Mubi e Apple TV.