Classe artística de Guarapuava emite ‘Carta Aberta’ dirigida ao poder público e à comunidade

O documento é fruto da união entre trabalhadores e técnicos de arte e cultura, segmentos não governamentais, agentes culturais, produtores culturais, as comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, de cultura de matriz africana e da cultura popular, do município de Guarapuava

Um dos principais atingidos pela pandemia de covid-19 em 2020, o setor cultural de Guarapuava publicou na última sexta-feira (27 novembro), nas redes sociais, uma “Carta Aberta” ao poder público municipal.

O material é endereçado ao prefeito Cesar Silvestri Filho, à secretária de Educação e Cultura Doraci Senger Luy, vereadores (sem especificar), imprensa e comunidade em geral.

O documento é fruto da união entre trabalhadores e técnicos de arte e cultura, segmentos não governamentais, agentes culturais, produtores culturais, as comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, de cultura de matriz africana e da cultura popular, do município de Guarapuava.

Compartilhado de maneira intensa no fim de semana, principalmente pelos agentes que compõem o setor no município, o texto começa pedindo um “instante da sua atenção, pois a área artística guarapuavana pede socorro”.

Em linhas gerais, a principal reivindicação da carta é a “insatisfação com o Programa Emergencial Corrente Cultural Guarapuava no que tange o repasse de recursos advindos da Lei Aldir Blanc em socorro emergencial ao setor cultural local”.

Segundo a classe artística, o texto tem como objetivo “sensibilizar as autoridades competentes para as demandas do setor cultural, bem como solicitar atenção urgente em prol da implementação da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural no que diz respeito à desburocratização e adequação dos editais para que o recurso chegue efetivamente às mãos do maior número possível de integrantes da classe artística guarapuavana e que esse recurso permaneça em Guarapuava”.

Nesse sentido, a Carta alerta que, em caso de não repasse dos próximos 20 dias (lembrando que o documento foi divulgado no dia 27 de novembro), o recurso voltará aos cofres do governo federal. “O que seria um prejuízo inexprimível para a classe artística guarapuavana e também para o comércio local que foi duramente prejudicado nesse período, onde esse recurso poderá ser injetado, aquecendo a economia local”, diz o manifesto.

Segundo o texto, o montante destinado a Guarapuava é de R$ 1.267.000 (um milhão, duzentos e sessenta e sete mil reais), recurso este destinado ao socorro de espaços culturais e artistas.

O manifesto ressalta que a Lei Aldir Blanc é resultado da ampla mobilização da sociedade brasileira e chega para amparar, em caráter emergencial, todos os trabalhadores da arte e da cultura, os espaços culturais, os pontos de cultura, as empresas e as instituições de caráter cultural, que se encontram em condições de vulnerabilidade econômica, em decorrência da pandemia mundial, provocada pela covid-19.

“Portanto, solicitamos às autoridades competentes a utilização do mecanismo de premiação por trajetória como forma legal e desburocratizada, para facilitar o acesso de artistas, produtores, agentes e mestres de cultura, técnicos, entidades, coletivos e espaços de cultura a serem contemplados no contexto da emergência cultural”, finaliza o texto da Carta.

A partir de domingo (29), também começou a circular um vídeo em que trabalhadores do setor cultural leem trechos dessa Carta.

Teatro Municipal de Guarapuava é o principal equipamento cultural da região (Foto: Arquivo/Correio)

ASSINATURA
A “Carta Aberta” é assinada pelas seguintes pessoas:

Clayton Luiz da Silva – suplente do Conselho Municipal de Cultura, segmento Manifestações Populares;

Scheyla de Oliveira – Conselheira Municipal de Cultura, seguimento Manifestações Populares. Artista, produtora cultural e gestora de espaço cultural privado;

Leandro S. Küster – Músico, educador musical, produtor de eventos, empresário e escritor;

Alex Ferrera – Cantor, compositor, músico e produtor;

Jones Guerra – Professor, Ator e Produtor Cultural;

André Prado – suplente do Conselho Municipal de Cultura, segmento música, produtor áudio e vídeo Studio Soul;

Carlos Henrique Czar Barbosa – Músico;

Andre Luiz Silva Loiola – Professor Sagüi Capoeira, representante do conselho da Salva Guarda da Capoeira do Paraná-Centro Sul;

Rodrigo José Tereza – Professor de Danças e Organizador de eventos;

Sergio da Matta Oliveira – Músico, compositor e produtor musical;

Geziel Thomas – Músico, Arranjador, Produtor Musical Studio Thomas, Jornalista;

Norbert Heinz, escritor e conselheiro estadual da cultura, representando a sociedade civil da macrorregião centro-sul.

PREFEITURA
Segundo a Secretaria de Comunicação (Secom), está programada uma reunião do Conselho Municipal de Cultura para ouvir os pedidos e tentar desburocratizar o processo.

Mas a Secom destaca que ambas as leis/regulamentações são de esfera federal.

De qualquer forma, nesta semana devem sair os editais (com resultado da primeira chamada e a nova) com os profissionais que cumpriram os requisitos.

ÍNTEGRA
Abaixo, confira a íntegra da “Carta Aberta”:

“Peço um instante da sua atenção pois a área artística guarapuavana pede socorro.
Carta Aberta
PARA:
Exmo. Senhor prefeito municipal Cesar Silvestre Filho
Exma. Senhora secretária de educação e Cultura Doraci Senger Luy
Exmos. Senhores vereadores
Imprensa e comunidade em geral

A classe artística, trabalhadores e técnicos de arte e cultura, segmentos não governamentais, agentes culturais, produtores culturais, as comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, de cultura de matriz africana e da cultura popular, do município de Guarapuava, por meio de representações individuais, uniram-se para manifestar sua insatisfação com o Programa Emergencial Corrente Cultural Guarapuava no que tange o repasse de recursos advindos da Lei Aldir Blanc em socorro emergencial ao setor cultural local.

Redigimos esta carta com o objetivo de sensibilizar as autoridades competentes para as demandas do setor cultural, bem como solicitar atenção urgente em prol da implementação da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural no que diz respeito à desburocratização e adequação dos editais para que o recurso chegue efetivamente às mãos do maior numero possível de integrantes da classe artística guarapuavana e que esse recurso permaneça em Guarapuava.

É importante ressaltar que o nãorepasse nos próximos vinte dias, esse recurso voltará aos cofres do governo federal, o que seria um prejuízo inexprimível para a classe artística guarapuavana e também para o comércio local que foi duramente prejudicado nesse período, onde esse recurso poderá ser injetado, aquecendo a economia local.

O montante destinado a Guarapuava é de R$ 1.267.000.(um milhão, duzentos e sessenta e sete mil reais) recurso esse, destinado ao socorro de espaços culturais e artistas.

A Lei Aldir Blanc é resultado da ampla mobilização da sociedade brasileira e chega para amparar, em caráter emergencial, todos os trabalhadores da arte e da cultura, os espaços culturais, os pontos de cultura, as empresas e as instituições de caráter cultural, que se encontram em condições de vulnerabilidade econômica, em decorrência da pandemia mundial, provocada pelo Covid-19.

Portanto, solicitamos às autoridades competentes a utilização do mecanismo de premiação por trajetória como forma legal e desburocratizada, para facilitar o acesso de artistas, produtores, agentes e mestres de cultura, técnicos, entidades, coletivos e espaços de cultura a serem contemplados no contexto da emergência cultural.

Assinam,
Clayton Luiz da Silva – suplente do Conselho Municipal de Cultura, segmento Manifestações Populares.
Scheyla de Oliveira _ Conselheira Municipal de Cultura, seguimento Manifestações
Populares. Artista, produtora cultural e gestora de espaço cultural privado.
Leandro S. Küster – Músico, educador musical, produtor de eventos, empresário e escritor.
Alex Ferrera – Cantor, compositor, músico e produtor.
Jones Guerra – Professor, Ator e Produtor Cultural.
André Prado – suplente do Conselho Municipal de Cultura, segmento música, produtor áudio e vídeo Studio Soul
Carlos Henrique Czar Barbosa – Músico
Andre Luiz Silva Loiola – Professor Sagüi Capoeira, representante do conselho da Salva Guarda da Capoeira do Paraná-Centro sul
Rodrigo Jose Tereza – Professor de Danças e Organizador de eventos
Sergio da Matta Oliveira – Músico, compositor e produtor musical.
Geziel Thomas – Músico, Arranjador, Produtor Musical Studio Thomas, Jornalista.
Norbert Heinz, escritor e conselheiro estadual da cultura, representando a sociedade civil da macrorregião centro-sul”