Acervo digital das franquias de ‘O Pasquim’ já está disponível na Biblioteca Nacional
Uma das marcas mais icônicas da imprensa brasileira, O Pasquim acaba de receber uma atualização importante em seu acervo digital. Após já contar integralmente com as 1.072 edições tradicionais do veículo, o catálogo gratuito disponibilizado na Biblioteca Nacional Digital (BNDigital) da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) passa agora a apresentar também 114 publicações de duas franquias históricas do periódico: São Paulo e Rio Grande do Sul.
Criado no final da década de 1960 pelo cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral, O Pasquim tornou-se um dos principais símbolos do jornalismo alternativo durante a ditadura militar brasileira (1964–1985). Com linguagem irreverente e crítica, o periódico destacou-se por suas charges, cartuns, artigos e entrevistas, reunindo nomes como Ziraldo, Henfil, Ivan Lessa, Millôr Fernandes e Ruy Castro. Os arquivos estão disponíveis no portal da Hemeroteca Digital Brasileira e passam a integrar um registro de mais de sete mil títulos de jornais históricos em formato digital na Fundação Biblioteca Nacional.
A novidade acontece em um momento simbólico, uma vez que 2026 marca os 40 anos do lançamento dessas iniciativas fora da sede original d’O Pasquim, no Rio de Janeiro. Na capital paulista, foram 56 edições semanais sob coordenação de Paulo Markun e Manoel Canabarro, com apoio de Dante Matiussi. “A disponibilização dessas novas edições resgata um capítulo importante da história d’O Pasquim e da mídia paulistana como um todo. Era um desafio muito grande representar essa marca, mas hoje podemos dizer que conseguimos deixar um legado dessa experiência”, avalia Markun.
No Rio Grande do Sul, o jornalista Flávio Braga liderou as 60 edições semanais da publicação. Ao todo, o projeto na Biblioteca Nacional apresenta 58 publicações – as exceções faltantes são a de número 18 e 39. “A possibilidade de criar a versão regional do melhor jornal satírico que o Brasil já teve colocou-se diante de mim como um sonho. Eu tinha 31 anos e era leitor d’O Pasquim desde a adolescência. Foi uma experiência esplêndida de jornalismo e de relacionamento político e cultural. Valeu muito a pena”, relembra.
A disponibilização dessas novas edições resgata um capítulo importante da história d’O Pasquim e da mídia paulistana como um todo. Era um desafio muito grande representar essa marca, mas hoje podemos dizer que conseguimos deixar um legado dessa experiência”
A complementação do acervo é resultado de um novo trabalho voluntário de curadoria liderado por Fernando Coelho dos Santos, já responsável pelo projeto de digitalização de O Pasquim, desenvolvido desde 2019. Para a presente etapa, ele contou com o auxílio de Gualberto Costa e Vinicius Martins. “Essa nova fase do trabalho complementa um esforço iniciado há mais de sete anos. Mais do que admirador do trabalho deles, acredito que o Brasil precisa manter essa memória disponível e, mais importante, viva para sempre”, relata.
Além das edições, estão disponíveis ainda textos numa seção de Memórias, na qual são dissecados alguns dos principais causos da trajetória do veículo, contando ainda com colaborações de personalidades como Chico Buarque, Rubem Fonseca, Odete Lara e Paulo Francis, que compartilham suas relações com o jornal. “A ampliação do acervo de O Pasquim reafirma o papel da Biblioteca Nacional Digital em assegurar o acesso livre e qualificado a conteúdos fundamentais da história brasileira”, destaca Otávio Oliveira, Coordenador da BND, que celebra 20 anos de existência em 2026.