Polêmica capa de ‘Virgin Killer’, do Scorpions, completa 50 anos em 2026
Completando 50 anos de seu lançamento em 2026, o álbum “Virgin Killer” (1976) é marcado até hoje pela capa polêmica. A versão original desse disco da banda alemã Scorpions trazia a representação de uma menina em nu frontal, com um efeito de imagem estilo “vidro quebrado” ocultando sua genitália.
À época, em países como Estados Unidos e Brasil, essa composição visual foi trocada, seja pela foto dos integrantes do Scorpions (EUA), seja pela imagem de um escorpião no corpo feminino (BRA). Mas a controvérsia acompanhou a trajetória de cinco décadas desse quarto álbum de estúdio de uma das bandas mais populares do hard rock dos anos de 1980.
Aliás, “Virgin Killer” marcou a transição da sonoridade psicodélica (e mais experimental) da banda alemã de Hanover para o estilo explosivo e dançante do hard rock, que se tornaria pop/comercial com rockers e baladas oitentistas (vide os sucessos “Still Loving You” e “Rock You Like A Hurricane”).
Com produção de Dieter Dierks, o disco da capa polêmica trazia um Scorpions composto pelo baixista Francis Buchholz (falecido em janeiro de 2026), o baterista Rudy Lenners, o guitarrista virtuoso Ulrich Jon Roth, o guitarrista base Rudolf Schenker e o vocalista Klaus Meine.
Em termos de destaques musicais, o disco trouxe sons pesados como “Pictured Life”, “Catch Your Train” e “Polar Nights”. No entanto, o que gerou debate e críticas foi mesmo a tal imagem da capa, cuja edição vale hoje uma fortuna no mercado de colecionadores de vinil. Não era a primeira vez (ou última) que o quinteto alemão provocava reações diversas em seu material artístico.
“No ano anterior, os alemães causaram polêmica pela modelo com um seio de fora na capa de ‘In Trance’, e a imagem foi editada para obscurecer a área. No caso de ‘Virgin Killer’, porém, uma capa alternativa com a foto da banda foi necessária para comercialização nos Estados Unidos. Em alguns países, ‘Virgin Killer’ foi lacrado com plástico preto para a comercialização. Uma capa com um escorpião em uma nádega feminina também foi lançada”, escreveu a revista Rolling Stone Brasil em reportagem de seu site em 2020, ao recordar o assunto espinhoso.
Segundo a publicação, a menina, cuja identidade segue até hoje em segredo, foi clicada por Michael von Gimbut, em ensaio fotográfico acompanhado da esposa, a mãe e irmã da jovem fotografada. A artista sueca Anneè Olofsson disse que a identidade da garota não poderia ser revelada, mas especulações apontam o nome Jacqueline.
O texto da Rolling Stone cita que o guitarrista Uli Jon Roth, em entrevista ao Ultimate Guitar, em 2008, criticou as capas do Scorpions por retratar, de maneira geral, mulheres de forma degradante. Ele deixou a banda dois anos após o lançamento de “Virgin Killer”. Mas Roth costuma fazer participações especiais em shows de sua antiga banda.
De fato, a iconografia “scorpiona” é prato cheio para críticas e polêmicas. Por exemplo, em 1980 o álbum “Animal Magnetism” apresentava uma capa composta por uma mulher ao lado de um cachorro, sentados, tendo um homem em pé. É no mínimo de gosto duvidoso, com essa figura feminina em posição de submissão.
Em outro caso, “Taken by Force” (1977) apresenta duas crianças “brincando” de bangue-bangue em meio a um cemitério militar na França. Novamente, a imagem clicada por Michael von Gimbut foi substituída em edições de exportação do vinil.
Já o produtor Dieter Dierks, disse, em 2016, que não faria mais esse tipo de capa de “Virgin Killer”. Mas à época de lançamento, a banda precisava se destacar no cenário musical, explicou.

HISTÓRIA
Banda fundada em 1965 na cidade de Hanover (Alemanha) por um jovem Rudolf Schenker, Scorpions lançou seu primeiro álbum em 1972: “Lonesome Crow”, produzido por Conny Plank em Hamburgo. Com letras em inglês. A formação se consagraria com o vocal de Klaus Meine, que formou dupla com Schenker nas composições. Além de Michael Schenker (irmão de Rudolf) na outra guitarra, Lothar Heimberg no baixo e Wolfgang Dziony na bateria.
Depois, vieram integrantes como Uli Jon Roth (guitarra), Francis Buchholz (baixo), Rudy Lenners (bateria), Matthias Jabs (guitarra) e Herman Rarebell (bateria) em diferentes fases e discos da banda. A formação clássica e de grande sucesso nos anos de 1980 é Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, Francis Buchholz e Herman Rarebell.
É o auge do projeto de maior popularidade da Alemanha no hard rock, com os discos “Blackout” (1982) e “Love at First Sting” (1984). O sucesso da turnê oitentista estourou no mercado norte-americano e contou com uma passagem pelo Brasil na primeira edição do Rock in Rio, em 1985.
Em seguida, a banda atravessaria os anos de 1990 e 2000 com mudanças em sua formação e aposta em algumas sonoridades para soar mais “moderno”. Haveria retorno às origens na primeira década do século 21, anúncios do fim das atividades (mas não cumpridos, para alegria dos fãs) e novos discos.
Em 2025, a banda passou pelo Brasil, durante turnê com datas em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Os integrantes daquela formação dos anos de 1960 estão hoje na casa dos 70 anos. Afinal, são seis décadas em atividades com Klaus Meine e Rudolf Schenker no comando, ao lado de Jabs que entrou depois no grupo e se mantém até hoje. Além de Pawel Maciwoda (baixo) e Mikkey Dee (bateria) na formação atual.