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Abaixa a cabeça! – 50 anos do filme ‘Quando explode a vingança’, um faroeste de Sergio Leone

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Junte um irlandês, um mexicano, uma revolução, Morricone, violência, dinamite e… BUM! É combustão pura. Cuidado com a cabeça!

Esta é uma síntese de “Quando explode a vingança”, filme rodado pelo mito italiano Sergio Leone (1929-1989) em 1971, ou seja, há 50 anos. Por isso, a série especial Arquivos Culturais viaja até 1971/73 para saber como esse filme de faroeste foi recebido no Brasil pela imprensa nacional.

Para quem não sabe, o longa-metragem estrelado por Rod Steiger (1925-2002) e James Coburn (1928-2002) tem como título original a expressão italiana “Giù la testa” que, em português, significa algo como “baixe a cabeça”; na versão em inglês, o nome completo é “A Fistful of Dynamite (Duck, you sucker)”: “Um punhado de dinamite (Duck, seu idiota, abaixe a cabeça)”, frase (“Duck, you sucker”) repetida ao logo da narrativa. Porque é isso mesmo: muitas cenas de explosões e bombas.

Coburn interpreta um revolucionário irlandês especialista em detonações, que se junta a um camponês rude (Steiger) na defesa de seus compatriotas contra a milícia de um sádico oficial e num plano de fuga para libertar prisioneiros políticos.

São 157 minutos de uma película que muita gente interpreta como parte da trilogia fabular em Leone. Em 1968, o diretor deu a sua visão particular sobre o gênero do western na obra-prima “Era uma vez no Oeste”; depois, em 1984, o universo dos mafiosos em outro clássico, “Era uma vez na América”.

Mas antes, em 1971, a revolução em “Quando explode a vingança”, que tem roteiro de Luciano Vincenzoni, Sergio Donati, Sergio Leone; e produção de Rafran Cinematografica, Euro International Film (EIA). Alguns críticos apelidaram esse filme de “Era uma vez a Revolução”.

Sem contar a marcante trilha sonora composta pelo maestro Ennio Morricone, parceiro de diversos filmes de Leone.

Em 1971, O Globo publicou entrevista exclusiva com o famoso diretor italiano (Foto: Reprodução)

ENTREVISTA
Em 23 de junho de 1971, o jornal O Globo publicou uma entrevista exclusiva com Leone, diretamente de Roma, pelas mãos de Naomi Stein. O título já indicava o que vinha pela frente: “Sergio Leone faz com Rod Steiger o ‘western’ do ano: ‘Baixe a cabeça’”.

O diretor é classificado pela reportagem como o “homem que inventou o western à italiana”, chamado de “neo-western” no texto, graças a filmes como “Por um punhado de dólares” (1964), feito com pouco dinheiro e estrelado por um então desconhecido Clint Eastwood; e o recente (à luz da matéria de 1971) “Era uma vez no Oeste”. “Eu faço o western como um filme policial, levo o espectador à tensão nervosa, formo a trama, uso a música no momento exato e misturo um pouco de tudo – crueldade, ternura, romance, morte”, diz o italiano ao Globo.

Nessa conversa, Leone elogia a versatilidade de Steiger e conta detalhes de “Quando explode a vingança”, em que o ator interpreta Juan Miranda, “um leão mexicano, sanguinário, pronto para a revolução” que quer riqueza, nas palavras do cineasta, que situa a ação em 1913, no México, depois da queda da ditadura de Porfírio Diaz.

O diretor menciona também os personagens de James Coburn (John Mallory), um irlandês que deixou seu país em defesa de ideais, e Romolo Valli, que interpreta o Doutor Villega, um chefe revolucionário. “O filme se baseia nas ligações desses três personagens, Steiger, Coburn e Valli. As suas degradações, seus sonhos, suas ambições, a amizade, a inimizade”, explica Leone.

BRASIL
Mas, em consulta ao acervo digital de dois jornais paulistas, é possível dizer que “Quando explode a vingança” chegou aos cinemas brasileiros somente em 1973.

Na edição de 11 de janeiro de 1973, o diário O Estado de S.Paulo publicou um resumo da carreira do diretor no texto “Faroeste italiano é a vitória de Leone”, informando o início atrás das câmeras (com “Os últimos dias de Pompeia” [não creditado], de 1959, e “O Colosso de Rodes”, 1961) até chegar ao sucesso dos filmes de bang-bang (Trilogia dos Dólares, de 1964/65/66).

No caso do filme de 1971, que estava em cartaz no circuito paulistano em 73, o Estadão menciona que a fita sofreu censura. “Este filme tem duas horas e meia na versão original, mas as cópias brasileiras têm 12 minutos a menos: a censura cortou várias, entre elas a de uma citação de Mao, que antecede os letreiros”.

Por sua vez, a Folha de S.Paulo publicou “A fantástica viagem no mundo da dinamite” em 10 de janeiro de 1973. Assinado por Orlando L. Fassoni, esse texto tece a crítica em torno do longa-metragem, então em cartaz nas salas paulistanas Regina, Gazetão e Marrocos.

Para Fassoni, Leone vai além do “faroeste à parmegiana”. “Ele [Sergio Leone] realmente mostra ser capaz de dirigir, como qualquer bom cineasta americano do gênero, um bang-bang em que se joga como uma ação física torrencial, que não dá ao espectador um instante de sossego, e com um discurso malicioso em torno da revolução, dos que a fazem e daqueles que, à sua sombra, preferem ser covardes vivos do que heróis mortos”.

O crítico afirma que o italiano produz uma “balada da dinamite” em “Quando explode a vingança”, utilizando-se de uma violência estilizada para reunir todos os westerns num filme só.

Rod Steiger tem uma interpretação histórica para o bandido Juan, que é convertido em “herói” revolucionário (Foto: Reprodução)

SERVIÇO
O filme “Quando explode a vingança” está disponível nos serviços pagos de streaming, caso da Amazon Prime Video (pelo canal MGM, que é assinado à parte) e Telecine Play.

Para esta edição dos Arquivos Culturais, utilizou-se como referência o ano 1971 para o filme, conforme o IMDb (Internet Movie Database; em português: Base de Dados de Filmes), maior base de dados sobre filmes e séries, e o site Leone Film Group.

*************Texto/pesquisa: Cris Nascimento, especial para CORREIO

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******************Trailer do filme:

https://youtu.be/zMKnSII5yY8
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