Guarapuava, 20 de agosto de 2019
Cotidiano

Com o rosto pintado, nariz de palhaço e um sorriso aberto, Ricardo dos Santos fica no mesmo cruzamento todos os dias em Guarapuava, na tentativa de vender pirulitos para quem passa

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Em tempos de crise econômica, muitas pessoas passaram a recorrer a alternativas que ajudam a melhorar a situação financeira. Novas formas de economia surgiram, sendo elas consideradas empreendedoras ou não.

Um exemplo visto diariamente em Guarapuava é a arte de rua. Malabaristas, vendedores ambulantes, artesãos; todos estão em busca de garantir uma melhor renda.

É o caso de Ricardo dos Santos (28 anos). Com o rosto pintado, nariz de palhaço e um sorriso aberto, o homem fica no mesmo cruzamento todos os dias, na tentativa de vender pirulitos para quem passa.

O trabalho geralmente começa às 10h e segue até 16h, todos os dias da semana. A rotina é a mesma há quatro meses, e a ideia surgiu após ficar cinco anos sem conseguir assinar a carteira.

“Falta recurso e oportunidades aqui na cidade. Há cinco anos, era muito mais fácil arrumar emprego; você saía de uma empresa, dali uma, duas semanas já estava em outra. Mas hoje está muito complicado”, desabafa o vendedor.

A crise econômica não escolhe cidade e tem se manifestado de várias formas. “Basta ver o expressivo número de lojas que fecham a cada mês, o desemprego que faz com que um número cada vez maior de pessoas busque auxílios na assistência social ou em ONGs. A inadimplência nunca esteve com índices tão elevados”, afirma o economista Carlos Alberto Gomes.

O profissional corrobora ainda que muitas pessoas recorrem a soluções alternativas no intuito de diminuir os impactos trazidos pela crise.

RECEPÇÃO

Mesmo estando há pouco tempo com a nova atividade, Ricardo dos Santos afirma que boa parte do público é receptiva, principalmente os mais jovens. “As pessoas me adoram! As crianças ficam felizes, os pedestres param para falar comigo. O começo foi meio vergonhoso, mas hoje em dia já é normal”.

Quando perguntado sobre a experiência de trabalhar com as crianças, um veículo passa, e quem sai na janela é um menino, que grita e acena feliz ao palhaço. “A experiência é assim!”, comenta aos risos.

Hoje esse tipo de trabalho tem chamado a atenção de pessoas que circulam pelas ruas. “As manifestações artísticas sempre serão bem recebidas pela população. O artesanato e atividades culturais também despertam interesses, podendo constituir-se em atividades econômicas que geram renda e permitam a sobrevivência de muitas pessoas”, afirma o economista Carlos Alberto Gomes.

O trabalho geralmente começa às 10h e segue até 16h. A rotina é a mesma há quatro meses, e a ideia surgiu após ficar cinco anos sem conseguir assinar a carteira (Foto: Ágata Neves)

SOLUÇÕES

Mesmo com novas alternativas para a melhoria econômica do país, como a que Santos optou, elas por si só não garantem o crescimento e circulação maior do dinheiro no país. De acordo com Gomes, é necessário um novo planejamento que garanta avanços significativos também para o desenvolvimento social.

“É necessário um projeto que contemple as enormes desigualdades sociais que temos. Precisamos melhorar nossos índices de produtividade, no entanto, temos que considerar que a renda que venha a ser gerada com o crescimento econômico deve ser melhor distribuída”, ressalta o especialista.

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