Guarapuava, 26 de janeiro de 2020
Agricultura

A previsão foi adiantada por Nilo Patel, extensionista do Emater que acompanha um grupo de 45 produtores no município; nesta safra, foram plantados 13 hectares da cultura, com produção em 40% da área

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No Paraná, municípios como Bituruna, Colombo e Marialva (a “Capital da Uva Fina”, localizada no Norte) são nomes certos como referência na produção videira.

Mas, ainda de forma cadenciada, a “terra do lobo bravo” vem flertando com a possibilidade de se tornar um polo de produção da fruta, devido ao clima propício e o mercado em ascensão.

De acordo com o extensionista municipal do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Nilo Patel, há um grupo de 45 produtores em Guarapuava que tem se dedicado à cultura.

“Nosso propósito é aproveitar esse potencial produtivo, em função do solo e do clima, e resgatar um trabalho que já era feito pelos pais e avós desses produtores”, citando a uva como uma fonte de renda e uma alternativa às propriedades.

Inclusive, o extensionista lembra que há mais de dez anos uma iniciativa semelhante foi colocada em prática no município, mas que acabou sendo abandonada. “Nós retomamos [o projeto] em função do clima, que julgamos muito interessante para o cultivo da videira”.

Entre o grupo de agricultores, a atual safra traz um plantio de aproximadamente 13 hectares, com uma colheita de 10 a 12 toneladas - números ainda não oficiais. Do total, cerca de 40% da área já está em produção.

MERCADO

Um dos objetivos desse incentivo é justamente a viabilidade econômica da uva na região. Mesmo dentro do Paraná, Nilo acredita que o consumo é maior que a produção, o que garante um mercado interno.

Mas, além de produzir a matéria-prima, uma ideia que está sendo aventada é a construção de cantinas para vinhos, sucos e geleias, dando aos agricultores produtos para todo o ano.

“As propriedades estão todas preparadas e adequadas, muda um pouco em função dos microclimas, mas todas têm condições de produzir”.

De acordo com o extensionista Nilo Patel, há um grupo de 45 produtores em Guarapuava que tem se dedicado à cultura (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

VARIEDADES

Atualmente, o foco da produção em Guarapuava tem sido as chamadas “uvas rústicas”, ou americanas, que se adaptam melhor à região. Em contrapartida, as uvas finas ainda demandam uma tecnologia maior e um custo mais elevado, não se viabilizando.

Nas propriedades acompanhadas por Nilo, as principais variedades são a Niágara (branca e rosada) e a Bordô, que são mais resistentes às doenças e conhecidas pelos produtores.

“As uvas finas são europeias, e mais voltadas para a produção de vinhos, como a cabernet sauvignon, que é uma das mais conhecidas”, diz.

CAPACITAÇÃO

O extensionista do Emater explica que, inicialmente, é feito um trabalho de base com todos os interessados em investir na cultura. Entre outras coisas, são apresentados o potencial, as facilidades e dificuldades da videira, além da possibilidade de investimento.

Na sequência, há uma constante assistência técnica para localizar, por exemplo, o melhor solo, que deve ser preparado com os nutrientes necessários antes do plantio.

“A gente faz um trabalho de treinamento para o produtor conhecer toda a parte técnica, como a cultura se comporta, porque sabemos que se ele conhece a cultura, consegue trabalhar com ela e fazer produzir”, pontuando que o foco é atuar tecnicamente para que a atividade não se perca ao longo do tempo, como já aconteceu no passado.

Nilo explica que podem ser utilizados três sistemas na produção da uva: o latada, que ainda é mais caro, a espaldeira em forma de cerca, e o Y.

A tendência é que os primeiros pés plantados comecem a produzir já no primeiro ano, mas o pico ocorre a partir do terceiro.

Para além das cantinas previstas para o futuro, a expectativa é que anualmente seja ampliado em 30% o número da área e de produtores envolvidos com a cultura.

Entre o grupo de agricultores de Guarapuava, a atual safra traz um plantio de aproximadamente 13 hectares, com uma produtividade de 10 a 12 toneladas (Foto: Douglas Kuspiosz/Correio)

PROGRAMA

Em 2019, o Governo do Paraná lançou o programa Revitis, destinado a estimular a produção de uvas no Paraná. Iniciativa inédita, o programa está apoiado em quatro eixos: incentivo para a produção, reorganização da comercialização, desenvolvimento do turismo e apoio à agroindústria.

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