Cotidiano

Plano quer nova estrada de ferro entre Guarapuava e Paranaguá

A curto e médio prazo, o Plano Estadual de Logística em Transporte do Paraná 2035 propõe obras pontuais de revitalização do trecho dessa linha férrea
(Foto: Arquivo/Correio)

Das obras pensadas pelo Plano Estadual de Logística em Transporte do Paraná 2035 (Pelt), uma das mais engenhosas para a região de Guarapuava é o traçado da linha férrea que leva os trens de cargas até Paranaguá. Em elaboração desde 2015, esse plano é um esforço conjunto de quase duas dezenas de entidades civis.

A curto e médio prazo, o plano propõe melhorias pontuais, como troca de trilhos e dormentes. Uma delas é uma pequena alteração de raio da chamada curva São João, na Serra do Mar. O traçado da estrada, muito antiga, inviabiliza o tráfego de grandes composições. Além disso, na mesma ferrovia, é necessário ampliar a capacidade do trecho da Serra da Esperança, que liga Guarapuava a Ponta Grossa e a Lapa.

Mas, a longo prazo, a solução definitiva para melhorar o escoamento de cargas é a construção de uma nova estrada de ferro entre Guarapuava e Paranaguá. Na manhã desta sexta-feira (11), o executivo do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, apresentou os principais pontos do Pelt 2035 a um grupo de empresários locais, na Casa da Indústria, em Guarapuava.

Segundo ele, a proposta do setor produtivo paranaense é fazer uma estrada com novo traçado. Responsável pelo trecho, a Rumo tem mais dez anos de concessão para explorar o trilho. Mas a empresa alega que, nesse tempo, o custo de construção de uma nova ferrovia não se paga. Ela prometeu apenas a revitalização da estrada.

“A proposta da Rumo atende parcialmente os interesses do setor produtivo nos próximos dez anos”, explica Mohr, acrescentando que o volume de cargas do Porto de Paranaguá, via ferrovia, não pode parar em apenas 30 milhões de toneladas daqui 10 anos.

Executivo participou de reunião em Guarapuava (Cristiano Martinez)

ALTA CAPACIDADE

Por isso, o Pelt 2035 defende como prioridade a implantação de uma linha de alta capacidade. O executivo da Fiep reconhece que a Rumo não seria capaz financeiramente de fazer sozinha a nova estrada. Ele conta que o grupo por trás do plano tem feito contatos com empresários do Japão, China e Rússia para viabilizar investimentos e capital. “Temos de fazer uma soma de esforços, entre usuários e investidores, para que todos saiam ganhando”.

Nas suas contas, cada quilômetro construído custa R$ 10 milhões. Para fazer os 350 km de Guarapuava a Paranaguá, seriam necessários R$ 6 bilhões.

No próximo mês, o governo do Estado deve lançar uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI), para atrair investidores. Essa PMI é um estudo de engenharia para a viabilidade técnica, econômica e ambiental da nova ferrovia.

CAMINHÃO

João Arthur Mohr garantiu que o transporte rodoviário não será prejudicado com o investimento nas ferrovias do Paraná. Além da região de Guarapuava, o Pelt 2035 mapeou obras em todo o Estado, criando um “anel ferroviário” de interligação das estradas de cada área, reduzindo os custos.

O executivo da Fiep disse que os caminhões de cargas serão necessários para fazer o translado em pequenos trechos, alimentando os terminais de transbordo. Nesse sentido, Guarapuava tem tudo para se tornar um grande entreposto.