Guarapuava, 18 de setembro de 2019
Agricultura

Por determinação da Adapar, de 10 de junho a 10 de setembro lavouras não podem conter plantas de soja. Penas vão de multas até interdição da propriedade

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Começou na segunda-feira (10) o período chamado de vazio sanitário da soja, no qual os produtores ficam expressamente proibidos, por três meses, de ter plantas da oleaginosa em suas lavouras.

A medida tem como objetivo reduzir a incidência dos esporos de um temido fungo, o Phakopsora pachyrhizi, causador da principal doença que tira o sono dos sojicultores: a ferrugem asiática.

A doença tem potencial de prejuízos bilionários e até mesmo de inviabilizar a continuidade da cultura, caso não sejam tomadas as devidas precauções. No último ciclo, por exemplo, houve o registro de 58 casos no Paraná. O Estado foi o vice-campeão nesse quesito, atrás apenas do Rio Grande do Sul, com 127 casos. O Mato Grosso do Sul foi o terceiro com maior incidência: 54 casos. Os dados são do Consórcio Antiferrugem.

A engenheira agrônoma do Senar-PR Flaviane Medeiros enfatiza que no período de 10 de junho a 10 de setembro, conforme portaria da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), nenhuma planta de soja deve existir nas lavouras paranaenses. “O período é importante porque interrompe o ciclo do causador da ferrugem asiática, que é um fungo biotrófico, ou seja, precisa da planta viva de soja para sobreviver. Esse período de vazio sanitário interrompe esse ciclo e reduz a incidência do fungo na hora que for ocorrer o plantio, a partir de 10 de setembro”, explica.

Ainda de acordo com a técnica do Senar-PR, é comum que na hora da colheita da soja fiquem sementes que caem da colheitadeira no solo, gerando o que se configura como plantas voluntárias. “As plantas acabam emergindo na lavoura. A recomendação é que se eliminem todas essas plantas. O produtor vai lá e faz a capina ou passa algum herbicida que mate essas plantas de soja”, pontua.

Flaviane explica que é impossível eliminar o fungo por completo. Mas, com essa medida, de deixar o solo sem plantas hospedeiras, o que acontece é um retardamento no aparecimento da ferrugem na próxima safra. “É importante lembrar que a determinação é feita por meio de portaria e é obrigatória”, lembra. Os produtores estão sujeitos desde multas até a interdição da propriedade caso não cumpram as recomendações.

PREJUÍZOS

A Embrapa Soja, com sede em Londrina, no Norte do Paraná, estima que o controle da ferrugem asiática, por safra, consuma, em média, US$ 2,8 bilhões. As estratégias de manejo da doença são: o vazio sanitário, a utilização de cultivares precoces, a semeadura no início da época recomendada, o uso de cultivares com genes de resistência e o uso de fungicidas. Estes últimos vêm, em sua maioria, tendo sua eficiência reduzida a cada ano.

Para ajudar os produtores a ter mais informações sobre como estão os estudos sobre o uso de produtos químicos, manejos, focos de incidência e outras informações importantes, a Embrapa possui site (CLIQUE AQUI). Outra fonte importante de dados sobre o assunto é o site do Consórcio Antiferrugem (CLIQUE AQUI).

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