Guarapuava, 26 de agosto de 2019
Agricultura

Estado produz 30,7% do volume nacional desse pescado; aumento do consumo no período da Quaresma e Páscoa demanda organização prévia dos produtores, com o auxílio das Engenharias de Aquicultura e Pesca

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O Brasil produziu 722,6 mil toneladas de peixes em 2018, sendo 129,9 mil toneladas provenientes do Paraná. O Estado tem mantido o índice de produtividade crescente no cultivo de peixes nos últimos anos.

Entre 2017 e 2018, por exemplo, o aumento totalizou 16%, quatro vezes maior que o crescimento nacional que, no mesmo período, teve saldo positivo de 4,5%. Os dados são da Associação Brasileira de Piscicultura.

De acordo com o engenheiro de Pesca e coordenador do curso de Engenharia de Aquicultura da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Laranjeiras do Sul, Ronan Maciel Marcos, o pescado está cada vez mais deixando de ser um produto de consumo ocasional.

Para ele, o peixe fica mais em evidência no período da Quaresma, mas o consumo recorrente já se tornou um hábito das famílias. "Isso ao meu ver é consequência do aumento da disponibilidade, diminuição do preço e percepção do consumidor de que se trata de um alimento saudável e saboroso. Hoje o pescado está presente em quase todos os supermercados”, observa.

Ainda conforme o engenheiro de Pesca, o aumento do consumo especificamente no período da Quaresma demanda uma organização prévia dos produtores de pescado para que haja um incremento do produto no mês de abril. “Este planejamento começa no final do inverno para que o clima mais quente seja aproveitado, pois os peixes possuem maior crescimento nos meses quentes”, explica.

Entre 2017 e 2018, por exemplo, o aumento totalizou 16%, quatro vezes maior que o crescimento nacional que, no mesmo período, teve saldo positivo de 4,5%. Os dados são da Associação Brasileira de Piscicultura

PROFISSIONALIZAÇÃO

Atualmente o Paraná conta com cinco graduações voltadas para esta área de atuação, sendo quatro em Engenharia da Aquicultura (UFFS – Laranjeiras do Sul; IFPR – Foz do Iguaçu; UFPR – Palotina; UFPR – Pontal do Paraná) e uma em Engenharia de Pesca (Unioeste – Toledo).

Na regional de Guarapuava, sete profissionais da área são registrados no Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), sendo três engenheiros de Pesca e quatro engenheiros de Aquicultura.

A expertise destes profissionais graduados, de acordo com Ronan, é fundamental no processo de produção do pescado, devido ao domínio dos conhecimentos necessários em todas as fases do trabalho. “Posso afirmar que foram estes profissionais os responsáveis pela posição do Paraná como maior produtor de peixes do Brasil, atuando fortemente no desenvolvimento de sistemas produtivos, assistência técnica e da cadeia produtiva”, afirma o engenheiro.

Hoomem joga rede durante pescaria
De um modo geral, é orientado que o consumidor dê preferência ao produto oriundo da aquicultura (Foto: Ricardo Krause)

ORIENTAÇÕES

Quando o pescado é congelado, o consumidor deve perceber se existe um excesso de cristais de gelo na embalagem, se o produto possui manchas com coloração diferente (mais claras ou escuras) e nunca comprar um peixe que aparente estar descongelando.

Em relação ao pescado fresco, este deve estar sempre acondicionado em gelo, mesmo no transporte para casa. O peixe precisa ter uma camada de muco natural, o que demonstra um aspecto brilhoso, e seus olhos devem possuir um aspecto translucido e firme. As brânquias (popular guelra) necessitam estar vermelhas e firmes, e a carne firme ao toque.

De um modo geral, é orientado que o consumidor dê preferência ao produto oriundo da aquicultura, pois possui maior qualidade e não agride o meio ambiente.

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