Cultura

‘Os Incríveis 2’ mantém a empolgação do primeiro título

Após 14 anos, Brad Bird retoma o universo da família Pêra, e promove discussões importantes e atuais. O personagem do bebê Zezé ganha mais destaque neste novo filme, e todas as cenas são entretenimento puro
(Foto: Divulgação)

A espera de 14 anos pela sequência de “Os Incríveis” valeu a pena tanto para os fãs, que receberam um bom filme, quanto para a Disney/Pixar, que já faturou mais de U$ 1 bilhão em bilheteria. Lançado no dia 28 de junho no Brasil, o longa-metragem de animação começa logo após o final do segundo título, com Beto/Sr. Incrível, Helena/Mulher-Elástica, Violeta, Flecha e Zezé - a família Pêra - enfrentando o Escavador.

Contudo, mesmo salvando a cidade, a família recebe uma “aposentadoria forçada”, por assim dizer, sendo obrigada a abandonar os uniformes e deixar de usar seus poderes. Apesar disso, dois novos personagens (Winston e Evelyn Deavor) traçam um plano para melhorar a imagem pública dos heróis, moldando a popularidade midiática da Mulher-Elástica.

Brad Bird, que roteirizou e dirigiu o longa, conseguiu unir uma dose certa de entretenimento, com cenas envolvendo Beto atrapalhado nas tarefas domésticas, mas também oferece uma discussão atual colocando a Mulher-Elástica como principal protagonista, invertendo os papéis em relação ao primeiro filme.

Considerando que a história se passa nos anos de 1960, período de eclosão dos movimentos feministas, o realizador dialoga bem com a questão do empoderamento feminino. E mais: as cenas em que Roberto encara a vida em casa são ironicamente feitas de modo a mostrar como a realidade doméstica pode, muitas vezes, ser mais trabalhosa do que a realidade “profissional”.

DESTAQUES

O personagem do bebê Zezé (Jack-Jack, no original) ganha mais destaque neste novo filme, e todas as cenas são entretenimento puro, principalmente no desenvolvimento dos seus super-poderes até então desconhecidos pela família. A relação com Edna, por exemplo, é um espetáculo à parte.

A trilha sonora de Michael Giacchino cria uma ambientação engajante e movimentada, que acompanha no ritmo certo nas cenas de batalhas, evocando um sentimento de urgência no espectador.

As sequências com o bebê Zezé são as mais engraçadas do filme

ANTAGONISTAS

Além de encarar a legislação que os proíbe de atuarem, a família Pêra precisa enfrentar o Hipnotizador, que quer manter os super-heróis na ilegalidade, utilizando a mídia como ferramenta para influenciar na opinião pública e política.

Bird trabalha com exatidão com esse elemento, inclusive, apresentando diversas cenas onde manchetes estampadas em jornais e reportagens televisivas conduzem as ações dos irmãos Winston e Evelyn, que nunca passam exatamente um sentimento de confiança.

A revelação do grande vilão e do seu plano no final do segundo arco do filme é uma reviravolta interessante, mas não é exatamente inesperada. As batalhas e a combinação de poderes dos super-heróis no ato final funcionam, mas segue a fórmula já muito explorada pela Pixar.

Em suma, “Os Incríveis 2” revela-se à altura do primeiro título, com mais acertos do que erros, e vale o ingresso. No site Rotten Tomatoes, por exemplo, o longa tem 93% de aprovação dos críticos, e 87% de aprovação da audiência.

SERVIÇO

“Os Incríveis 2” continua em cartaz em Guarapuava, com sessões diárias às 17h30 e 20h nos dias úteis, e também às 15h nos sábados e domingos. A versão disponível é dublada e em 2D.