Cultura

‘Orange Is The New Black’ se reinventa para manter o fôlego

A série criada pela produtora Netflix chega a sua 6ª temporada nesta sexta-feira (27)
(Foto: Divulgação)

“O sol está brilhando, o dia é novo/ E todo mundo está esperando, esperando por você/ Os Animais, os animais/ Presos, presos, presos até a gaiola ficar cheia”

A música “You’ve Got Time”, de Regina Spektor, tema da premiada série norte-americana “Orange Is The New Black” (Netflix, 2013-), explica logo no começo de cada episódio os muitos dramas enfrentados pelas detentas de Litchfield, um fictício presídio feminino de segurança mínima. A abertura, inclusive, é um dos vários acertos da diretora Jenji Kohan, responsável pela produção.

“Orange”, ao longo dos anos, garantiu espaço para discussões que são relevantes, como o combate ao racismo, ao machismo e à homofobia, além dos problemas do uso de drogas e das precárias condições do sistema carcerário.

Em sua 6ª temporada, que estreou nesta sexta-feira (27 de julho), a produção precisou se reinventar para manter o fôlego. Os 13 novos episódios seguem as reviravoltas da 5ª temporada e levam as detentas de Litchfield para um presídio de segurança máxima.

REALIDADE

“Orange” sempre apostou na diversidade e no empoderamento das minorias. O núcleo principal traz personagens negras, brancas e latinas, além de garantir espaço para a discussão sobre a homossexualidade e a transsexualidade.

A síntese disso é Sophia Burset, a única presidiária transsexual de Litchfield, interpretada pela atriz Laverne Cox, que também é trans. “Eu me identifico com os sentimentos que fizeram Sophia sentir culpa por ter consciência de sua condição. Ela sacrificou tudo”, disse Cox em uma entrevista em 2013.

O racismo e a discriminação nos Estados Unidos são temáticas enraizadas na série, começando pela disposição das detentas baseada na cor de pele. Isso é frequentemente abordado nas histórias de origem das personagens, e os motivos - às vezes injustos - que as levaram até Litchfield.

Mas, trazer o protagonismo para as mulheres talvez seja uma das melhores coisas da série. Desde o fato de que há muita força em cada uma das detentas, até que durante boa parte da produção a manda-chuva do presídio é Natalie Figueroa (Alysia Reiner).

ROTEIRO

Apesar de as histórias terem perdido força a partir da 3° temporada, apresentando falhas no roteiro e facilitações narrativas, os casos contados são empolgantes. “Orange” aposta em diluir o protagonismo, mostrando várias realidades dentro da cadeia.

Os primeiros episódios trazem Piper Chapman (Taylor Schilling) como o centro da produção, apontando o drama de ter sido condenada por um crime cometido há mais de uma década. A adaptação de Chapman, que veio de uma família rica de Nova Iorque, faz com que a série engrene, e logo ganham destaque as histórias de Alex Vause (Laura Prepon), Claudette Pelage (Michelle Hurst), Red (Kate Mulgrew), Suzanne Warren (Uzo Aduba) e de muitas outras.

E os julgamentos de quem assiste nunca devem ser definitivos. Não há mocinhos e vilões em “Orange”, e a série acerta em não “demonizar” suas personagens. Tiffany Doggett (Tarun Leyva), por exemplo, possui um interessante arco de redenção, deixando para trás o fanatismo religioso e “arejando” sua cabeça para temas atuais.

SERVIÇO

“Orange Is The New Black” é uma adaptação do livro “Orange Is The New Black: My Year in a Women’s Prision” (2010), da escritora Piper Kerman, que conta suas experiência em um presídio feminino de segurança mínima.

A 6ª temporada estreou nesta sexta-feira (27 de julho), e está disponível exclusivamente através da Netflix, que é um serviço de streaming (exibição online, sem possibilidade de download).