Guarapuava, 26 de junho de 2019
Cultura

Considerado um dos maiores nomes da cultura pop, o roteirista/editor Stan Lee morreu nesta segunda-feira (12 de novembro), em Los Angeles. Ele está por trás de criações dos quadrinhos como Homem-Aranha, Hulk e Homem de Ferro

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“Excelsior!”. Era assim que o roteirista/editor midiático Stan Lee gostava de terminar seus textos, em conversas diretas com os leitores. Aliás, o cara foi um expert em estratégias para se aproximar de seu público, criando intimidade e informalidade, como se todos fizessem parte das histórias contadas nos quadrinhos da editora norte-americana Marvel Comics.

Mas, neste dia 12 de novembro, o efusivo ponto de exclamação de “Excelsior” é substituído pelo melancólico ponto final. Afinal, a trajetória de Lee chegou ao fim na manhã desta segunda-feira. Ele morreu aos 95 anos de idade, em Los Angeles.

Para as gerações mais jovens, o nova-iorquino Stanley Martin Lieber (seu nome verdadeiro) é aquele velhinho onipresente nos filmes baseados em personagens da Marvel. A cada produção lançada, os fãs ficavam na expectativa de encontrar a figura de Lee em uma de suas célebres pontas. Geralmente, eram participações hilárias, mesmo em filmes mais sisudos.

Já para outras pessoas, Lee é a mente criativa por trás da renovação dos quadrinhos norte-americanos (os “comics”) na segunda metade do século 20 (nos anos de 1950/60). Ele não foi o único responsável, mas acabou simbolizando um período fértil na criação de personagens como o Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Homem de Ferro, Hulk, Demolidor, Pantera Negra, entre outros. Principalmente na produção dos roteiros, que se utilizavam do método “Marvel Way” (um formato mais livre, com grande participação do desenhista).

De um cara que sonhava em ser escritor erudito (com ambições de fazer o “grande romance americano”), Stan Lee entrou para a história como um dos maiores nomes da cultura pop. Em parceria com outras lendas do traço, caso de Jack Kirby e Steve Ditko, Lee deu novo impulso às HQs, criando histórias humanizadas e estabelecendo conexões do chamado Universo Marvel.

Os heróis pensados pelo roteirista e companhia eram mais próximos do cotidiano do jovem leitor. Mesmo com poderes, os personagens tinham dramas comuns e podiam ser qualquer pessoa. Vide o desventurado Homem-Aranha. Com contas para pagar ao final do mês, o super-herói precisa se equilibrar pelos prédios de Nova Iorque e ainda tirar boas notas na escola.

Stan Lee em uma de suas famosas pontas no cinema (Reprodução)

MIDIÁTICO

Depois de ajudar a criar os alicerces criativos da Marvel, Stan Lee se tornou uma figura midiática, aparecendo em convenções de quadrinhos e onde fosse mais possível. Era uma espécie de embaixador marvete.

Tempos depois, ele tentou levar as suas criações para o universo da TV e do cinema. A coisa começou mesmo a funcionar no início dos anos 2000, com as primeiras adaptações de grande sucesso dos gibis para a telona, como foram os filmes estrelados pelos mutantes X-Men e voo solo do Homem-Aranha.

Nas últimas décadas, os super-heróis renderam franquias bilionárias que se tornaram coqueluche hollywoodiana. Lee sempre fazia uma ponta nesses filmes. Estima-se que ele tenha acumulado uma fortuna de US$ 70 milhões (R$ 263 milhões).

Os últimos anos de Lee foram marcados por turbulências jurídicas. Em 2017, ele processou por fraude os executivos da POW! Entertainment, companhia que ele havia ajudado a criar para adaptar suas criações. Logo depois, abandonou a ação. Também processou o homem que gerenciava seus negócios e vinha sendo acompanhado pela polícia de Los Angeles, sob a suspeita de estar sendo vítima de maus-tratos.

Ele deixa a filha, J.C. Sua mulher, Joan, com quem ele estava casado havia 69 anos, morreu em 2017.

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