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Novo disco do guitarrista Duca Belintani faz viagem pelo blues

Botar os discos de Duca Belintani pra tocar é como fazer uma viagem sentimental pelos rincões dos Estados Unidos, mergulhando nas plantações de algodão e bebericando nos famosos festivais de New Orleans. Ou singrando o caudaloso rio Mississipi, onde Huckleberry Finn e Tom Sawyer aprontavam suas traquinagens. Afinal, o guitarrista brasileiro propõe, nos discos “Rota 145” (2015) e “How Long” (2017), uma expedição musical até as raízes do blues, gênero norte-americano que deu origem ao rock and roll. Ao som de suas duas “cigar box guitars”, Duca dá nova vida às composições clássicas de mestres como Big Bill Broozy, Leroy Carr e Big Joe Williams no recém-lançado CD “How Long”, espécie de expansão do EP anterior, “Rota 145”. “A proposta com o ‘Rota 145’ foi começar a preparar o público para o que viria com o CD ‘How Long. Este novo trabalho é a minha visão da amplitude do Blues. Consegui colocar ali sons no estilo Mississippi, Chicago, Modern, instrumental, vocal em inglês e uma em português, guitarras convencionais, cigar box, slide etc., ou seja abrir o leque”, diz, em entrevista exclusiva ao CORREIO. Para quem não sabe, as duas “cigar box guitars” de Duca foram feitas por artesãos brasileiros (luthier), que as confeccionaram usando caixas de charutos, da mesma forma como eram usadas pelos escravos nos anos de 1920, proporcionando uma sonoridade muito típica da origem do gênero. 11225411_10207816615437094_2852773309914228795_o O novo trabalho, que é o sexto na carreira solo de Duca, foi gravado parte dele em São Paulo e outra na Califórnia. O objetivo de “How Long” (que também é a quinta faixa do disco, numa composição de Leroy Carr) é resgatar a musicalidade, a alma, o humor e os instrumentos que compõem a história do blues, ou seja, da música negra norte-americana. AUTORAL Além das releituras de standards do blues, o novo disco de Duca Belintani também traz composições inéditas: quatro feitas de maneira solitária pelo próprio guitarrista e uma em parceria com Osmar Santos Jr. Aliás, a segunda faixa de “How Long” - “Ma babe, my car and my guitar” – tem uma história curiosa. Ela surgiu a partir de uma série de vídeos de Duca em seu canal oficial no YouTube. Ao longo de vários episódios ao vivo, ele compartilhou o processo de criação musical junto a seu público, desnudando as origens de uma canção. “A proposta foi mostrar uma das minhas possibilidades dentro do processo de criação e assim nasceu esta canção. Foi muito bacana ir acompanhando como as pessoas reagiam e como viam cada etapa. Agradeço e todos que acompanharam e digo que todos são meio ‘culpados’ desta música”, explica o guitarrista. 19243189_10208984188911899_8717803518143873573_o RELEITURAS Ao amante do blues, o CD de Duca guarda releituras de trabalhos como “Baby please don’t go”, “Hey Hey”, “How Long” e “Mean old frisco”. “São músicas (entre outras) que costumo apresentar nos shows e que consegui colocar uma ‘cara’ minha, onde eu me senti à vontade para colocar minha personalidade e não somente fazer um cover. Em minha opinião, são releituras destes clássicos”. Inclusive, o disco guarda uma nova versão de “Tô Sabendo”, canção de Tico Terpins e Zé Rodrix que ficou imortalizada na voz de Kid Vinil, jornalista e vocalista do Magazine, falecido no mês passado. “É um shuffle blues e que foi gravada originalmente pelo meu querido e saudoso Kid Vinil. Eu já havia mostrado a ele e gostou. Agora virou uma homenagem ao meu amigo”, explica Duca. PARTICIPAÇÕES Assim como em “Rota 145”, o guitarrista conta novamente com a colaboração de Benigno Sobral (baixo) e Humberto Zigler (bateria). Mas o disco “How Long” ainda tem Ulisses da Hora (bateria), Ricardo Scaff (gaita) e Vinas Peixoto (berimbau e caixa). Além de Adriano Grineberg, um “monstro” ao piano. Texto: Cristiano Martinez Fotos: Arquivo Pessoal/Duca Belintani