Guarapuava, 25 de maio de 2019
Agricultura

Atualmente, existem aproximadamente 300 propriedades certificadas na regional, e quase 400 com processo de produção orgânica em fase de certificação

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É notório que, entre outras atividades, a região de Guarapuava é caracterizada pela força produtiva do agronegócio. Conforme o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), por exemplo, os engenheiros da modalidade de Agronomia são maioria entre os registrados na regional, sendo 1.313 profissionais na região e 409 em Guarapuava.

Este volume de profissionais, atuantes nas mais diversas áreas da Agronomia, tem cada vez mais buscado inserir-se nos segmentos de cultivos de orgânicos. É o caso do engenheiro agrônomo Douglas Dias de Almeida, que atua neste ramo específico desde 2005, e explica as principais características deste tipo de produção. “Quando falamos em comida orgânica, estamos nos referindo a alimentos manufaturados que, desde o cultivo, seguem uma série de métodos como o não uso de agrotóxicos, transgênicos, agroquímicos e fertilizantes sintéticos, além de possuírem o selo de certificação orgânica que garante as normas e práticas de produção. Assim, são mais saudáveis para o nosso organismo, também ajudam a preservar os recursos naturais, e saúde de quem trabalha na agricultura”, explica.

A região de Guarapuava tem apresentado um crescimento no número de propriedades certificadas para produção de orgânicos. Aproximadamente 300 já possuem certificado, e este número pode duplicar nos próximos meses, já que quase 400 estão em processo de produção de orgânicos e em fase de certificação. Este aumento na produção segue a mesma lógica de crescimento nacional visto que, neste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou levantamento apontando que, em sete anos, o número de agricultores desse segmento do agronegócio triplicou, passando de 5.934 cadastrados, em 2012, para 17.730 em 2019.

Neste contexto, Douglas aponta o Paraná como um estado que tem destaque na produção de orgânicos em nível nacional, principalmente pela preocupação da profissionalização da atividade. “Sem dúvida o Paraná é destaque na produção de alimentos, chás, condimentos, e fármacos naturais e orgânicos, sendo um dos estados em que mais se desenvolve este tipo de agricultura, além de se destacar pela criação de empresas especializadas no processamento, embalo e comercialização destes produtos. Notamos que os produtores estão a cada dia que passa aumentando os volumes de investimentos neste sistema produtivo”, avalia.

PROFISSIONALISMO

Apesar de o Paraná destacar-se como um estado que busca a profissionalização do cultivo de orgânicos, o Engenheiro Agrônomo relata a maioria das propriedades não possuem acompanhamento especializado e responsabilidade técnica, o que ocasiona o retardo da evolução produtiva. “Os produtores levam mais tempo para se fixarem e se firmarem na atividade, visto que realizam muita experimentação, gastam muito com tentativa e erro, e desta forma o rendimento e lucratividade desejada demora muito a ser alcançada”, aponta.

Além disso, assim como na agricultura convencional, o sistema orgânico necessita de planejamento, gestão financeira periódica e gestão de usos de defensivos naturais, que demandam aplicações conduzidas corretamente por um profissional habilitado, pois, do contrário, os benefícios do orgânico podem se tornar sérios problemas para o consumidor final.

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