Guarapuava, 23 de maio de 2019
Segurança

De acordo com os promotores, o réu também deve continuar em prisão preventiva, já que ‘não houve a modificação das circunstâncias que ensejaram a decretação de sua custódia cautelar’

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O Ministério Público do Paraná (MP-PR), através dos promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaiz, solicitou que Luis Felipe Manvailer, que é acusado de matar a advogada guarapuavana Tatiane Spitzner, vá a júri popular.

No documento de alegações finais anexado ao processo na tarde desta segunda-feira (22), a promotoria afirma que Manvailer é o responsável pela morte de Tatiane de forma “segura e incontroversa”.

“Com efeito, conforme demonstram as diversas filmagens colhidas no edifício [...], por diversas vezes, Tatiane deve sua liberdade privada, pois tentou correr e fugir, mas foi seguida, segurada e impedida pelo esposo Luis Felipe, sendo constantemente encurralada e agredida”, aponta o MP-PR.

Ele é réu no processo por homicídio qualificado, cárcere privado e fraude processual.

Em relação à última acusação, os promotores afirmam que, após a queda de Tatiane, Manvailer retirou o corpo da vítima da calçada e levou até o apartamento do casal, posteriormente limpando as marcas de sangue.

De acordo com o MP-PR, Manvailer deve continuar preso
De acordo com o MP-PR, Manvailer deve continuar preso (Reprodução)

“[...] denota-se que o réu invocou artificiosamente os vestígios do crime e o estado de lugar das coisas, a fim de induzir a erro o juízo ou o perito”, acrescenta.

Nas alegações, os promotores ainda afirmam que há relatos de vizinhos que ouviram a vítima pedir por socorro enquanto ainda estava dentro do apartamento.

MANVAILER SE DIZ INOCENTE

Em depoimento no dia 21 de março, Manvailer permaneceu em silêncio durante a maior parte dos questionamentos, mas afirmou que não matou Tatiane Spitzner. “Sempre amei minha esposa”, disse.

Além disso, ele citou duas testemunhas - uma pessoa que morava em frente ao prédio em que o casal vivia, e outra que reside atualmente no Espírito Santo - que estão “longe da influência do senhor Jorge Spitzner”, em suas palavras.

Segundo Manvailer, a primeira testemunha relatou ter visto Tatiane se debruçar sobre a sacada, e a segunda disse ter ouvido gritos da mulher enquanto ela caía, o que poderia indicar que ela estava viva antes da queda.

Durante seu depoimento, o réu não respondeu a maior parte dos questionamentos
Durante seu depoimento, o réu não respondeu a maior parte dos questionamentos (Douglas Kuspiosz/Correio)

De acordo com um laudo do Instituto Médico-Legal (IML), Tatiane faleceu por asfixia mecânica causada por esganadura. A defesa questiona o exame.

CASO

Tatiane Spitzner foi encontrada morta em seu apartamento na região central da “terra do lobo bravo” na madrugada no dia 22 de julho. De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), Manvailer além de ter matado a mulher, a jogou pela sacada do apartamento e, depois, recolheu o seu corpo.

Imagens das câmeras de segurança, que foram amplamente divulgadas, mostram agressões de Manvailer momentos antes da morte da advogada.

Devido a isso, ele responde pelos crimes de homicídio qualificado, cárcere privado e fraude processual, já que tentou apagar das provas do crime.

A defesa do réu alega que o MP-PR não deixou claro quando, onde e como Tatiane morreu; os advogados ainda pediram, por duas vezes, a suspensão do processo.

Luis Felipe Manvailer foi preso no município de São Miguel do Iguaçu, a 340 Km de Guarapuava, horas após a morte da vítima. A suspeita das autoridades é que ele estava tentando fugir para o Paraguai.

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