Guarapuava, 17 de novembro de 2019
#curta!

Recém-lançada no Brasil, obra de Robin R. Means Coleman desenvolve uma pesquisa profunda com a análise das imagens, influências e impactos sociais dos negros nos filmes de terror desde 1890 até o presente

-

Não é de hoje que a editora DarkSide tem se destacado no mercado brasileiro pelas caprichadas edições, com excelência no acabamento gráfico e ótima escolha de textos.

O novo acerto dessa casa editorial nacional é o recém-lançado “Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror” (2019), escrito por Robin R. Means Coleman.

Professora adjunta no Departamento de Estudos da Comunicação e no Centro de Estudos Afro-Americanos e Africanos da Universidade de Michigan, a Dra. Robin desenvolveu uma pesquisa profunda com a análise das imagens, influências e impactos sociais dos negros nos filmes de terror desde 1890 até o presente.

Para os aficionados (e os não tão assim) de filmes de terror, a lembrança mais marcante é Ben (vivido pelo ator Duane Jones) em “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968), de George A. Romero. O personagem é um dos poucos heróis negros em produções do gênero.

O terror, como gênero que desafia limites, tem sido um lugar para análises provocativas de racialismo e racismo bem como alternativas na cultura popular estadunidense. E muito se tem pesquisado e escrito sobre a história dos negros no cinema, mas até agora sua presença - ou ausência - nos filmes de terror tem sido relegada a um único capítulo ou a várias notas de rodapé.

Em “Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror”, Coleman afirma que o terror oferece um espaço representativo único para desafiarmos as imagens mais negativas e racistas vistas nos meios de comunicação. Sua ampla pesquisa cronológica do gênero para o livro inclui grandes produções de Hollywood, filmes de arte, blaxploitation e as emergentes produções de horrorcore inspiradas pela cultura hip-hop.

É uma obra única que encoraja o leitor a desmontar a imagem racializada do gênero, assim como as narrativas que compõem os comentários da cultura popular acerca de raça, e acende um debate feroz e necessário sobre o poder do horror, seu impacto na sociedade, e suas reproduções como reflexo dela.

DANOS

S. Torriano Berry, cineasta, professor e escritor, diz em sua introdução para “Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror” que um dos aspectos mais danosos do espectro limitado de papéis representados por atores negros nos filmes de terror iniciais é a falta de imagens positivas para proporcionar um sentimento de equilíbrio. “Ver um personagem negro arregalar os olhos e empalidecer ao se deparar com um fantasma não teria sido tão ruim se o seu papel seguinte ou anterior tivesse sido como um médico, advogado ou empresário de sucesso. No entanto, os filmes hollywoodianos relegavam aos negros os personagens subservientes, como mordomos, empregadas e motoristas”, diz.

“Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror” é um marco e virou documentário produzido e exibido pela Shudder, plataforma de streaming audiovisual de terror ainda não disponível no Brasil.

Dirigido por Xavier Burgin, o documentário foi lançado em 2019 e tem produção executiva da Dra. Robin R. Means Coleman, da educadora e escritora Tananarive Due, de Phil Nobile Jr, editor-chefe da revista Fangoria e Kelly Ryan, da Stage 3 Productions, e é produzido e co-escrito por Danielle Burrows e Ashlee Blackwell — que, aliás, contribuiu com um texto especial exclusivo para a edição brasileira do livro.

SERVIÇO

“Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror” (464 páginas) é um livro de não-ficção que pode ser adquirido diretamente no site da DarkSide (CLIQUE AQUI), a R$ 64,9.

Veja Também