Guarapuava, 17 de novembro de 2019
#curta!

Exibida no palco do Centro Cultural Mathias Leh, no distrito de Entre Rios, a ópera traz lendas e elementos conhecidos na linguagem popular brasileira, buscando manter a atração dos pequenos; em termos musicais, sete instrumentos compõem a afinada orquestra, que adapta a obra de Engelbert Humperdinck

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Das lendas à música, passando por cenário, iluminação e personagens: tudo em “João e Maria”, ópera apresentada nesta semana pela Cia. Ditirambo no Centro Cultural Mathias Leh, em Entre Rios, grita cultura brasileira.

Se a história clássica criada por Jacob e Wilhelm Grimm - sob o título “Hänsel und Gretel” - se passava nas lúgubres florestas alemãs, a adaptação assinada pela diretoria artística Lúcia Vasconcelos Jatahy tem o sertão nordestino como palco; a estética passou a estar intimamente ligada àquele lugar.

Essa concepção, conta o diretor cênico Jul Leardini, buscou deixar a obra mais palatável aos olhos e ouvidos dos pequenos brasileiros. Isso incluiu uma redução considerável da versão original, que se prolonga por quase três horas.

“A Lúcia fez uma adaptação primorosa, porque jogou para o nordeste, para os aspectos mitológicos do nosso país e às personagens da mitologia nordestina”, ressaltando que cenicamente o trabalho envolve muita luz e movimentação para aproximar da realidade do ambiente tropical do Brasil.

Em relação ao seu trabalho, Leardini explica que ao lado dos diretores artístico e musical, precisa unir todos os elementos da linguagem da ópera - atores, cantores, mise-en-scène e elementos visuais -, mantendo coesão para agarrar a atenção da criançada.

“Procuramos em uma montagem como essa primar por brincadeiras infantis, por comicidade, aspectos engraçados para despertar a criança no jogo cênico”, ressaltando que os pequenos conseguem, dependendo da idade, absorver certos aspectos da obra, enquanto que os adultos observam o conjunto.

(Foto: Ilustrativa/Assessoria)

ADAPTAÇÃO

Além de ser responsável pela tradução do texto original, a diretora artística também sobe no palco e dá vida à bruxa, que tenta de todas as formas devorar João e Maria.

Contudo, ao contrário da vilã original carrancuda e brava, a nova personagem é atrapalhada e não se importa de fazer a plateia rir. A intenção, explica Lúcia, foi deixar a antagonista mais engraçada e conquistar a simpatia do público.

“É muito bacana ver a euforia, e a gente mantém essa tradição, esses textos, essas lendas, vivos”, dizendo que a obra é interessante para os pais e avós, pois “todo mundo vira criança quando começa a assistir”.

MÚSICA

Longe da tradição europeia de extensas óperas, a produção brasileira tem como base a partitura Engelbert Humperdinck, mas traz uma música adaptada. Mais curta, a orquestra composta por cinco músicos e sete instrumentos é responsável por trazer os temas essenciais do enredo.

Esse trabalho foi desenvolvido por Luiz Néri Pfützenreuter, que manteve piano, flauta transversal, piccolo, clarinete, clarone, contrabaixo e percussão na produção. “A gente decidiu por esses instrumentos porque o clarinete e a flauta são muito presentes na música brasileira”, afirma, acrescentando que foi feito um cuidadoso arranjo para a história.

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