Guarapuava, 25 de agosto de 2019
#curta!

Na visão dos diretores, o longa é um western ambientado em um Brasil ‘daqui a alguns anos’; crítica nacional e internacional avalia positivamente a obra

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“O Som ao Redor” (2012) e “Aquarius” (2016) colocaram, com justiça, Kleber Mendonça Filho como um dos principais cineastas em atividade no Brasil.

Um reflexo disso é que seu novo filme “Bacurau” (2019), dirigido e escrito em parceria com Juliano Dornelles, está concorrendo à Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França. A exibição do longa-metragem ocorreu nesta quarta-feira (15).

Entre as avaliações na imprensa internacional, a revista Screen afirmou que o filme é um “comentário de confronto sobre os rumos que o Brasil está tomando na era Bolsonaro”; já o britânico The Guardian ressaltou que “Bacurau” é “realmente estranho”, mas “distinto” e “executado com clareza e força implacáveis”.

Na visão do crítico brasileiro Pablo Villaça, o roteiro “atira no lixo o conceito de ‘intriga de predestinação’”, já que não é possível antecipar os acontecimentos da história.

“Igualmente admirável, vale apontar, é a fluidez com que a narrativa salta de um gênero a outro, de um tema a outro e de uma alegoria a outra de uma maneira que deveria resultar em caos, mas acaba por criar uma estrutura coesa na qual elementos conflitantes de complementam perfeitamente, equilibrando-se entre John Carpenter e Glauber Rocha, entre o naturalismo e o fantástico e entre o horror e a (quase) ficção-científica”, ressalta Villaça em seu site Cinema em Cena.

BRASIL DO FUTURO

Na descrição de seus diretores, o longa-metragem é uma aventura ambientada em um Brasil “daqui a alguns anos”. “Bacurau, um pequeno povoado no sertão brasileiro, dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida, falecida aos 94 anos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos campos”, diz a sinopse.

O filme foi rodado no Sertão do Seridó, na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, há um ano. As filmagens duraram dois meses e três dias, com uma equipe de 150 pessoas. As cidades de Parelhas e Acari serviram de base para a produção.

“Bacurau é um projeto que vem sendo desenvolvido desde 2009, quando era apenas uma ideia, até ser filmado em 2018. Enquanto o roteiro se transformava, o país e nosso cotidiano também”, disse Dornelles através de sua assessoria.

Já Mendonça Filho ressalta que o longa é o “resultado da nossa relação com os filmes e as pessoas que amamos e que nos formam, com Pernambuco, com o Brasil e com o Mundo”.

Diretores e produtora Emilie Lesclaux (Foto: Victor Jucá)

ELENCO

Sonia Braga ("Dona Flor e Seus Dois Maridos", "O Beijo da Mulher Aranha", "Aquarius"), o alemão Udo Kier ("Suspiria", "Berlin Alexanderplatz", "Garotos de Programa, Melancolia") e Karine Teles ("Que Horas Ela Volta?", “Benzinho") fazem parte de um elenco composto por dezenas de atores, como Barbara Colen ("Aquarius"), Silvero Pereira, Thomas Aquino, Antonio Saboia, Rubens Santos e Lia de Itamaracá.

PRÊMIO

O único filme brasileiro que venceu a Palma de Ouro foi “O Pagador de Promessas” (1962), dirigido por Anselmo Duarte em meio à efervescência do Cinema Novo, movimento cinematográfico proeminente no Brasil entre os anos 1960 e 1970. No total, o país teve 37 indicações - caso de “Aquarius”, de Mendonça Filho.

Agora, além de “Bacurau”, representa o país neste ano no prêmio principal o filme “O Traidor”, do diretor italiano Marco Ballocchio. “A Vida Invisível”, do cineasta Karim Aïnouz, concorre na mostra Um Certo Olhar.

O Festival de Cannes segue até o dia 25 de maio.

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