Guarapuava, 23 de fevereiro de 2019
Cultura

Na expectativa de participar de um concurso interestadual em União da Vitória (PR), integrantes da Fanfarra Manoel Ribas se apresentam nos semáforos de Guarapuava com o objetivo de arrecadar dinheiro e custear a viagem

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Assim que o sinal vermelho se acende, o pequeno grupo de jovens inicia a apresentação musical em uma das esquinas da avenida Manoel Ribas. Em questão de segundos, eles fazem um show compacto e alegre. Enquanto isso, uma parte do grupo passa pelos carros, arrecadando dinheiro para um sonho. Eles querem viajar para União da Vitória (PR) e mostrar o talento guarapuavano.

Toda quarta e sábado, os integrantes da Fanfarra Manoel Ribas se apresentam nos semáforos de Guarapuava. No contraturno escolar, os jovens usam seu tempo livre para sensibilizar os motoristas e arrecadar dinheiro que será utilizado para custear a participação na 28ª edição do Cinfaban (Concurso Interestadual de Fanfarras e Bandas), no próximo dia 18 de agosto.

Segundo o maestro Raphael Mayer, a ideia das apresentações nos semáforos surgiu para viabilizar o valor de R$ 5 mil, que serão necessários para duas viagens: União da Vitória, nesse concurso interestadual; e Ivaiporã, em setembro, numa competição estadual. “O pessoal está animado e está tendo retorno. Mas não é fácil”, avalia, em entrevista ao CORREIO.

Ele conta que a Colégio Estadual Manoel Ribas fornece os instrumentos musicais, o material de manutenção e o espaço para os ensaios. “A gente só tem a agradecer a escola”, frisa o maestro. Mas o dinheiro para viagens precisa sair do bolso dos integrantes da fanfarra, pois não contam com apoios externos.

Por isso, jovens como as irmãs gêmeas Maria Fernanda e Maria Eduarda Cavalin se engajaram na arrecadação de recursos por meio das apresentações nos semáforos de Guarapuava. “E a gente precisa pagar ônibus e pagar a inscrição. Os alunos não têm condições”, disseram, informando que elas fazem parte da fanfarra desde o final de 2017. Mas tem outros integrantes há dois, quatro anos. Todos participam do projeto musical de maneira voluntária.

O maestro conta que, caso o grupo consiga captar os recursos necessários, metade dos R$ 5 mil será utilizado para a viagem até União da Vitória e outra metade a Ivaiporã, em 22 e 23 de setembro deste ano. São duas oportunidades para a Fanfarra Manoel Ribas mostrar seu valor e tirar lições da experiência. “Eu estou lá analisando e vendo o que eu posso usar para o nosso benefício aqui”, conta Mayer.

Inclusive, a fanfarra guarapuavana tem uma particularidade: segue o chamado estilo americano, que consiste em danças, evoluções e outros elementos que fogem do padrão tradicional de uma apresentação. “Nenhuma banda fazia isso na primeira vez que fomos ao Paranaense”, diz o maestro.

HISTÓRIA

Ex-aluno do Manoel Ribas, Raphael Mayer começou como percussionista da fanfarra, atuando até 2013. Em 2015, a banda estava em crise e não participou no tradicional Desfile de Sete de Setembro. Preocupado com a situação, Mayer apresentou um projeto à direção da escola naquela época e passou a ser o maestro em 2016.

No ano passado, a fanfarra participou de seu primeiro concurso estadual, conseguindo logo de cara o 2º lugar na sua categoria. Como não tinha um uniforme padronizado, perdeu pontinhos preciosos perante o júri.

Mas em São Mateus do Sul, ao final de 2017, veio o 1º lugar na categoria Banda de Percussão Juvenil.

Nesse tempo todo, a Fanfarra Manoel Ribas tem se aperfeiçoado nos concursos e workshops, fazendo com que seus integrantes adquiram responsabilidades e vontade de melhorar cada vez mais.

No entanto, a fanfarra enfrenta obstáculos econômicos, pois utiliza instrumentos antigos, com até 40 anos de uso, que prejudicam na afinação durante as apresentações. Sem contar a necessidade de arrecadar dinheiro para participar das competições. Mas os membros da fanfarra superam os problemas. “A gente não ganha nada. É apenas pra mostrar o que a gente aprende”, dizem as irmãs Cavalin.

Aliás, o maestro conta que um dos sonhos da banda é renovar os instrumentos, que costumam apresentar um valor elevado.

COMPOSIÇÃO

Os integrantes da Fanfarra Manoel Ribas têm entre 11 anos de idade e 19, contando inclusive com um ex-aluno de 22 anos. Um dos membros tem quase uma década de projeto. “O Mateus começou bem pequenino”, recorda o maestro Raphael Mayer.

Normalmente, a fanfarra ensaia três vezes por semana, no contraturno escolar dos alunos participantes. Mas, a 15 dias do Cinfaban, os trabalhos serão diários.

SERVIÇO

Além dos semáforos, a fanfarra também é aberta a doações dos guarapuavanos em outros horários e locais. Quem tiver interesse, pode procurar o maestro Raphael Mayer no Colégio Manoel Ribas.

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