Guarapuava, 17 de December de 2018
Cotidiano

Caso o governo estadual não dê a autorização para contratar os temporários, as aulas na instituição serão suspensas a partir do próximo dia 19 de março

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Campus Santa Cruz da Unicentro (Foto: Cristiano Martinez/Correio)

Desde o início do ano letivo em fevereiro deste ano, a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) vive um drama com a falta de professores temporários (os chamados “colaboradores”) para atuar nos campi da instituição.

Pelas contas da Reitoria, são necessárias cerca de 10 mil horas para atividades de docentes contratados via teste seletivo para 2018. No entanto, ainda faltam 3.250 horas, contabilizando 104 docentes que aguardam a autorização do governo do Paraná para serem convocados, atingindo todos os departamentos pedagógicos da Unicentro.

Segundo o vice-reitor Osmar Ambrósio de Souza, o cálculo de 10 mil horas foi feito em 2017 a partir de um planejamento da instituição. Porém, 30 professores se aposentaram, impactando na carga horária de 2018. Ou seja, a demanda é maior pelos “colaboradores”: 10,6 mil horas. “Mas a gente acreditava que poderia remanejar essas 10 mil horas, com ajustes suficientes”, diz, em entrevista ao CORREIO.

O problema é que o governo estadual ainda não autorizou a contratação dos 104 docentes temporários aprovados em teste seletivo. Eles são importantes para suprir o quadro de efetivos da Unicentro, ou seja, da mão de obra permanente. “A autorização é para ‘horas’ e não ‘pessoas’. Assim, dentro das 10 mil horas, a universidade faz o gerenciamento das contratações”.

Nessa situação de falta de professores, os departamentos pedagógicos têm trabalhado com o adiantamento das aulas nos horários vagos. “O processo de adiantamento funciona por um ou dois meses. Depois, ele causa um prejuízo maior pedagogicamente a todo o sistema de aprendizado”, avalia o vice-reitor.

Por isso, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da universidade deliberou, em reunião realizada na última sexta-feira (9), pela suspensão do calendário acadêmico a partir do próximo dia 19 de março. Tal medida só não será tomada no caso do governo estadual autorizar, nesta semana, a convocação dos professores temporários.

“Estamos na expectativa para que o governo autorize as contratações”, afirma Souza, explicando que, mesmo com a autorização, existe um prazo burocrático de duas semanas para que o docente pise na sala de aula: exames médicos admissionais, documentação, assinatura de contrato etc.

Vice-reitor da Unicentro, Osmar Ambrósio de Souza (Cristiano Martinez/Correio)

SINALIZAÇÃO

Osmar Ambrósio de Souza informa que o reitor da Unicentro, Aldo Nelson Bona, vem mantendo conversas com o primeiro escalão do governo Beto Richa e com o próprio governador, a fim de resolver essa questão da contratação dos professores colaboradores.

“O governador vem sinalizando a possibilidade de fazer esse decreto durante essa semana. A gente não sabe o que está emperrando, a nível de governo, pra sair de fato o decreto autorizando a contratação”, diz Souza.

Segundo o vice-reitor, o imbróglio não tem a ver com a falta de recursos para contratar os professores “colaboradores”. Ele diz que o dinheiro já está previsto no orçamento da universidade. “É um problema de gestão interna”, referindo-se ao governo.

Inclusive, em uma reunião recente com os reitores das universidades estaduais do Paraná, Souza conta que o Beto Richa sinalizou positivamente para a contratação dos temporários.

CONSEQUÊNCIAS

A Unicentro conta hoje com 38 departamentos pedagógicos. No total, o déficit é de 32,6% da carga horária necessária de professor “colaborador”. Para exemplificar, o vice-reitor afirma que dois departamentos estão com o quadro completo; mas outros setores têm carência de mais de 50% dos docentes.

“O problema impacta diferentemente nos departamentos. Mas a universidade tem de pensar como um corpo total”, destaca.

Aulas correm risco de suspensão a partir do dia 19 de março (Cristiano Martinez)

Um exemplo é o curso de Comunicação Social: Habilitação em Publicidade e Propaganda (PP), que possui grande dependência de professores colaboradores. De acordo com relatos de acadêmicos, o terceiro ano do curso está tendo apenas uma disciplina ativa, das seis necessárias.

"A situação do terceiro ano de Publicidade e Propaganda é a pior, pois dos quatro professores da turma, apenas uma está contratada. Os demais estão aguardando a efetivação dos seus contratos para assumirem seus cargos", disse o chefe do Departamento de Comunicação Social, Edgard Melech.

CONCURSOS

Em um cenário com déficit de docentes efetivos, a figura do professor “colaborador” é fundamental para o funcionamento da Unicentro. O vice-reitor explica que esse tipo de força de trabalho temporária é altamente capacitada e serve, por exemplo, para suprir a ausência de um docente concursado (em caso de licença).

“Mas o que acontece com frequência é que temos um quadro reduzido de professores e uma demanda muito grande de aulas”, destacando que o cenário ideal seria o quadro composto apenas por concursados. Mas, enquanto isso, os temporários suprem as vagas dos docentes que se aposentaram ou faleceram.

Há dois anos, a Unicentro batalha pela nomeação de 39 professores aprovados em concurso público. “São vagas que precisam ser substituídas por professores colaboradores”, destacando que essa mão de obra contribui de maneira significativa para a universidade.

Inclusive, são comuns os casos de temporários aprovados em concurso, mas que ainda não foram convocados. Assim, eles se veem obrigados a fazer teste seletivo para continuar dando aula nessa mesma vaga.

 
Vice-reitor falar sobre a contratação de professores na Unicentro

A redação do CORREIO conversou com o vice-reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Osmar Ambrósio de Souza, na manhã desta terça-feira (13). A contratação dos professores colaboradores e a possibilidade de suspensão do calendário acadêmico foram alguns dos assuntos tratados. Confira!

Posted by Jornal Correio do Cidadão - Guarapuava on Tuesday, March 13, 2018

 


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