Segurança

Em 2017, Guarapuava registrou 472 casos de violência contra a mulher

Só no Paraná, em 2018 foram registrados 11 feminicídios. E isso num país que acaba de comemorar os 12 anos da Lei Maria da Penha
(Foto: Ilustrativa/Arquivo/EBC)

As imagens de um homem agredindo e perseguindo sua própria esposa correram o mundo. Em um edifício de alto padrão no Centro de Guarapuava, o professor Luis Felipe Manvailer foi flagrado pelas câmeras de segurança em atos de violência contra a advogada Tatiane Spitzner. Logo depois, ela apareceu morta, em um caso que é investigado pela Justiça como sendo de feminicídio (assassinato associado ao gênero da vítima).

Infelizmente, Tatiane não é a única guarapuavana a sofrer na mão dos homens. Segundo dados da Polícia Militar, ao longo de 2017 foram registrados 472 Boletins de Ocorrência (BOs) envolvendo episódios de violência contra pessoas do sexo feminino. É uma redução, na comparação com 2016, que teve 536 BOs; mesmo assim, ainda é um número preocupante.

Segundo Priscila Schran, a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres atendeu, em 2017, 344 casos de violência contra a mulher. Ela explicou que a pasta municipal costuma fazer busca ativa de quem faz os boletins de ocorrência na Polícia Militar.

Já o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), que administra a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, colheu pelo Ligue 180 no primeiro semestre deste ano quase 73 mil denúncias. O resultado é bem maior do que o registrado (12 mil) em 2006, primeiro ano de funcionamento da Central.

Só no Paraná, em 2018 foram registrados 11 feminicídios. E isso num país que acaba de comemorar os 12 anos da lei nº 11.340 (que é de 7 de agosto de 2006), mais conhecida como Lei Maria da Penha. A legislação é considerada pela Organização das Nações Unidas como a terceira melhor e mais avançada lei no mundo em relação ao enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

POSSE

O problema é que vivemos numa sociedade machista, em que os homens se consideram donos das mulheres e da família. “É uma questão de posse”, afirma Priscila Schran. “A gente está falando de uma sociedade que constrói a submissão das mulheres”, frisando que ocorre inclusive um domínio do corpo feminino. Em outras palavras, significa que a mulher é vista como objeto de posse do homem.

A secretária vai mais longe, ao constatar que a sociedade exige uma postura agressiva e violenta dos homens. No caso de Luis Felipe Manvailer, o acusado aparentava o contrário, pois ele tinha o estereótipo do “bom moço”: cuidava da saúde, era bonito, tinha um trabalho na universidade. “Muitos dos homens autores de violência que atendemos na Secretaria são legais com a família e com os amigos. Mas, no relacionamento, eles são violentos”.

Trocando em miúdos, significa que Manvailer segue o padrão do homem violento identificado no trabalho da Secretaria em Guarapuava.

MANIFESTAÇÃO

Em Guarapuava, neste sábado (11) está programada uma manifestação na Praça 9 de Dezembro, às 11h, pelo “Pelo fim da violência contra as mulheres”.