Cultura

'Desaparecida’ traz uma história envolvente, mas cheia de clichês

O longa-metragem argentino, que foi produzido pela Netflix e lançado na última quarta-feira (8) na plataforma de streaming, é conduzido pela forte presença feminina nos papéis principais
(Foto: Reprodução)

Cerca de 14 anos após a sua melhor amiga desaparecer, a policial Manuela “Pipa” Pelari (Luisana Lopilato) decide reabrir o caso e se depara com um complexo sistema de tráfico humano, que afeta diretamente a sua vida e a das pessoas próximas.

Lançado inicialmente no dia 19 de abril na Argentina, “Desaparecida” (“Perdida”, no título original) foi disponibilizado na última quarta-feira (8 de agosto) para os assinantes da Netflix, e traz, além de Lopilato, Amaia Salamanca (Nadine Basset) e Rafael Spregelburd (Ramón) no elenco.

A produção original da Netflix custou pouco mais de U$ 2 milhões, muito abaixo do investimento em filmes dos últimos grandes filmes da produtora - “Bright” (2017), por exemplo, teve um custo de aproximadamente U$ 90 milhões.

ERROS E ACERTOS

O diretor Alejandro Montiel foi responsável por adaptar a obra “Cornelia”, da escritora argentina Florencia Echeves, que ganhou destaque no meio literário do país. O longa, por sua vez, não vem sendo visto com bons olhos pela crítica e pelo público.

O roteiro escrito por Montiel, Jorge Maestro e Mili Roque Pitt traz uma história envolvente, com reviravoltas inesperadas, mas peca no excesso de clichês: temos o policial experiente, a personagem hacker, o suposto vilão misterioso e o herói inesperado. Apesar disso, o filme acerta em fazer o espectador se surpreender nos minutos finais.

Há um início bastante promissor, com uma temática típica de histórias de suspense policial. Montiel não se preocupa em subverter o gênero ou trabalhar com novas propostas, mas traz em “Desaparecida” algumas boas ideias, como o uso de flashbacks através de diversos pontos de vista.

Lopilato é a atriz principal do novo filme da Netflix (Reprodução)

MULHERES

Não há dúvida de que o filme é conduzido pela forte presença das personagens femininas: Lopilato e Salamanca dão vida à mocinha e à vilã, respectivamente, e ofuscam as atuações masculinas de Nicolás Furtado e Rafael Spregelburd, por exemplo, que seguem protocolares.

Mas, a personagem Alina Zambrano (Orina Sabatini) é um dos muitos clichês presentes no longa-metragem, não tendo nenhum peso emocional durante o seu desenvolvimento, ao contrário de Pipa, que recebe uma atenção maior no roteiro.

Já a história envolvendo a vilã Nadine Basset ressalta a premissa de que as mulheres são a força motriz do enredo, com um arco carregado de reviravoltas e uma inesperada redenção nos minutos finais.

PRODUÇÃO

A principal virtude de “Desaparecida” é a sua precisão técnica, trazendo trechos filmados em belas paisagens da Argentina e da Espanha. As filmagens começaram no dia 2 de outubro de 2017.

A trilha sonora de Alfonso Aguilar, feita em parte por sintetizadores, evoca um sentimento de mistério ao filme, e dialoga inevitavelmente com clássicos como “Blade Runner”, que teve seus temas compostos por Vangelis.

Em sua curta temporada nos cinemas latino-americanos, o filme conseguiu arrecadar pouco mais de U$ 1,2 milhão, cerca da metade do custo total da produção.

SERVIÇO

“Desaparecida” é uma adaptação do livro “Cornelia”, da escritora argentina Florencia Echeves. Dirigido por Alejandro Montiel, o longa-metragem traz Luisana Lopilato no papel principal.

O filme teve a sua estreia na Argentina no dia 19 de abril de 2018. O lançamento mundial, através da Netflix (exibição exclusivamente online) foi nesta quarta-feira (8 de agosto).

 

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