Guarapuava, 24 de junho de 2019
#curta!

Nesta segunda-feira (20 maio), a lenda da Fórmula 1 Niki Lauda se foi. Ele teve uma trajetória única no automobilismo, tornando-se campeão três vezes e sobrevivendo a um terrível acidente. Nesta edição, conheça um pouco mais dessa história em duas indicações culturais

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Parecia que o ex-piloto de Fórmula 1 Niki Lauda (70 anos) era eterno. Depois de sobreviver a um terrível acidente automobilístico nos anos de 1970, ele teve uma longa trajetória.

Mas, infelizmente, morreu nesta segunda-feira (20 maio).

Estava internado em um hospital na Suíça, tratando de problemas renais. Três vezes campeão mundial, o ex-piloto austríaco passou também por dois transplantes de rim, em 1997 e em 2005. Sem contar um transplante de pulmão feito nove meses atrás.

Parte de sua trajetória vitoriosa nas pistas ficou eternizada em duas produções: o livro “Corrida para a Glória” (2013, edição brasileira), de Tom Rubython; e o filme “Rush - No Limite da Emoção” (2013), dirigido por Ron Howard.

Tanto um quanto outro tratam do mesmo assunto: a histórica rivalidade entre Lauda e o inglês James Hunt na temporada de 1976, um dos anos mais violentos da Fórmula 1.

Jornalista especializado em automobilismo, Tom Rubython fez em “Corrida para a Glória: James Hunt Versus Niki Lauda - A história do maior duelo da Fórmula 1” um relato meticuloso e carregado de informações de bastidores sobre o circuito de corridas dos anos de 1970.

Em uma prosa direta e fluente, Rubython agrada tanto aos aficionados por Fórmula 1 (os “nerds” da categoria) quanto aos neófitos no assunto. Isso significa que qualquer pessoa, mesmo aqueles que não gostam de corridas, pode entender o que se passou entre Lauda e Hunt em 1976.

Obcecado por carros e vitórias, Lauda é descrito como um piloto acima da média e que sabe o quer para conquistar suas glórias na Fórmula 1.

Cena do filme dirigido por Ron Howard (Foto: Divulgação)

FILME

Dirigido por Ron Howard, “Rush - No Limite da Emoção” tem uma proposta diferente do livro de Rubython.

Basicamente, é a mesma história de rivalidade entre Lauda e Hunt. Mas o foco é no estabelecimento de arquétipos calcados nas características mais latentes desses pilotos. Trocando em miúdos, significa que o longa-metragem realçou o perfil de ambos.

Assim, Hunt é visto sob o signo dionisíaco. Em outras palavras, ele é o cara desregrado, que se diverte nas pistas (e fora delas) sem se preocupar exatamente com as vitórias. O prazer do inglês (vivido por Chris Hemsworth, o Thor dos filmes da Marvel Studios) é correr o mais rápido possível. A vitória é uma consequência.

Hunt é apresentado como a encarnação do prazer e da inconsequência, bem ao estilo da Fórmula 1 da era romântica, quando pilotos fumavam e bebiam sem maiores preocupações.

Já Lauda é mostrado na película de Howard como um sujeito meticuloso e obcecado em ter o melhor carro para competir. Ele (interpretado por Daniel Brühl) investe dinheiro do próprio bolso para conseguir o lugar no cockpit da lendária Ferrari. O austríaco é visto a partir do signo apolíneo, ou seja, a razão e a perfeição são as suas grandes marcas. Por isso, ele não se interessa por festas ou orgias, agindo de maneira totalmente oposta a seu arquirrival.

Lauda é uma espécie de “iceman”, cuja maior preocupação é fazer uma corrida milimetricamente correta. Tem-se a impressão, segundo a ótica do filme, que ele é o vilão e Hunt o mocinho.

Mas, claro, o filme não fica somente nesse maniqueísmo. Pois Lauda tem seus momentos de insegurança, principalmente após o acidente que quase o matou. Após pegar fogo, o piloto ficou com sequelas físicas, mas sua obstinação em vencer se manteve.

É uma produção com grandes cenas de corrida, mas que peca pela simplificação dos personagens. Em todo o caso, fica uma dica interessante para conhecer um pouco sobre a Fórmula 1 e a trajetória de Niki Lauda.

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