Guarapuava, 25 de agosto de 2019
#curta!

Prevista para ser lançada no próximo dia 25 de fevereiro, a nova edição de ‘Grande Sertão: Veredas’ recupera os desenhos originais de Poty Lazzarotto, reúne célebres textos sobre o romance e tem uma capa desenvolvida pelo artista Arthur Bispo do Rosário

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Arrepare, senhor: o livro do Seo Guimarães é um desassossego que só! Riobaldo, Diadorim, Hermógenes, Joca Ramiro, os sertões, as veredas. Uma viagem, muitos caminhos. Mas com o Diabo na rua, no meio do redemoinho!

E não é que o dito cujo ganhou uma edição especial?! Mas fica bem dito e não se engane, que estou falando é do livro: “Grande Sertão: Veredas”. Ara! Publicada em 1956, essa obra do Guimarães Rosa revolucionou a literatura brasileira. Não sou eu que estou dizendo: “despertou o interesse de renovadas gerações de leitores em uma história de amor, sofrimento, violência e alegria”.

E não é que as gentes da tal Companhia das Letras vão lançar uma edição novinha em folha. A data é no próximo dia 25 de fevereiro. “Esta nova edição conta com novo estabelecimento de texto, cronologia ilustrada, indicações de leituras e célebres textos publicados sobre o romance, incluindo um breve recorte da correspondência entre Clarice Lispector e Fernando Sabino e escritos de Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, Benedito Nunes, Davi Arrigucci Jr. e Silviano Santiago. Dispostos cronologicamente, os ensaios procuram dar a ver, ao menos em parte, como se constituiu essa trama de leituras”, é o que estão dizendo.

Mas olha que formosura! Além do texto falado, cantado e pensado do Seo Guimarães, o livro chega chegando. “A capa do volume é reprodução da adaptação em bordado do avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com nomes dos personagens de ‘Grande Sertão: Veredas’”, não sou eu que estou dizendo.

O escritor mineiro Guimarães Rosa produziu obras que marcaram o século 20 na literatura brasileira

LUXO

Nonada, senhor! Se não bastasse o livro assim assim, tem mais uma “edição de luxo”. Mas corre, que são apenas 63 exemplares, em comemoração aos 63 anos de publicação da primeira edição da obra. Eles serão numerados, tanto no bordado quanto no livro.

Só não cai pra trás com o preço: R$ 1.190 cada livro, que é produzido artesanalmente e com muito cuidado.

“Esta edição terá um acabamento especial em capa dura com baixo relevo e costura aparente, e a guarda será feita de papel artesanal da Moinho Brasil, feito de cana-de-açúcar, com impressão em silk screen. O bordado inspirado no avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com os nomes dos personagens do romance vestirá o livro feito uma sobrecapa. E uma faixa vermelha que terá um fechamento com botão feito artesanalmente pela Quiari Marcenaria envolverá o exemplar. O livro será entregue em uma caixa feita de buriti por uma rede de artesãs do sertão”, é o que estão dizendo.

Quem não pode, se sacode! A “edição normal” custa R$ 84,90 e já está em pré-venda nessa tal de internet. AQUI, por exemplo.

Nova edição recupera desenhos do paranaense Poty

POTY

O Poty Lazzarotto (1924-1998) não era fraco, não. Paranaense, o nosso amigo foi responsável pelas ilustrações de capa das primeiras edições de “Grande Sertão: Veredas”.

Não é à toa que as gentes da Companhia recuperaram os desenhos de Poty, senhor. A nova edição reproduz os mapas das regiões noroeste e nordeste de Minas Gerais, constelados de figuras e símbolos enigmáticos.

“Todos esses desenhos de Poty, aliás, foram feitos sob orientação de Guimarães Rosa. O artista e o escritor mantinham constante diálogo para que os elementos visuais combinassem e enriquecessem a leitura das obras. A atenção dada por Poty ao conteúdo dos livros gerava um trabalho ímpar no mercado editorial de então, tendo ilustrado também obras de Euclides da Cunha, Jorge Amado, Dalton Trevisan e Darcy Ribeiro”, não sou eu que estou dizendo...

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