Guarapuava, 20 de abril de 2019
Esporte

Fundada em 17 de março de 1951, a Associação Atlética Batel já figurou na elite do futebol profissional e hoje mantém suas atividades em campo. No próximo dia 7 de abril, inicia a campanha por uma das vagas à Primeira Divisão do Paranaense

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No próximo dia 7 de abril, os jogadores da Associação Atlética Batel (AA Batel) entram em campo para o início de mais uma edição do Campeonato Paranaense da 2ª Divisão. Novamente, o representante de Guarapuava no futebol profissional do Estado tem a chance de fazer história. Para muitos torcedores guarapuavanos, que amam as cores rubro-negras, pode ser o pontapé inicial da caminhada rumo à Primeira Divisão.

Para quem não se lembra, o Batel já figurou na elite estadual, tendo feito jogos emocionantes contra grandes adversários e revelado talentos nas quatro linhas, principalmente nos anos de 1990. Afinal de contas, são quase 70 anos de histórias da bola. Neste domingo (17 março), o Rubro-Negro da Baixada completa 68 anos de vida. Nessa mesma data, mas em 1951, o clube era fundado pelas famílias Silvestri e Carollo.

Durante muito tempo, o Batel era considerado uma equipe de futebol “amador-marrom”, já que os jogadores não eram profissionais, tinham outras ocupações, mas eram pagos pelo clube. O cenário começou a mudar quando um grupo empresarial de Guarapuava, que tinha a sua frente Alfredo Gelinski, decidiu disputar a presidência do Batel.

“O Alfredo não concordava e não concorda que Guarapuava não tenha um time profissional. Assim, quando ele entrou no Batel, ele buscou uma fusão com outro clube da cidade, o Grêmio Esportivo do Oeste, mas isso não deu certo. Então ele decidiu construir o estádio e o Batel conseguiu a filiação na Federação Paranaense de Futebol de 1988 para 1989”, contou ex-vice-presidente do Batel, Sérgio Leocádio Miranda, o Ratinho, em entrevista a um projeto experimental da Unicentro – o material foi gentilmente cedido ao CORREIO.

BASE

A partir desses investimentos, o Batel teve uma base estrutural para conseguir disputar os campeonatos profissionais da região, iniciando sua trajetória em 1989, na Segunda Divisão do Campeonato Paranaense de Futebol. Sandro Laroca foi uma das “promessas” que surgiram nessa época, começando a jogar na base do clube durante sua adolescência e assumindo o peso de vestir a camisa principal do Rubro-Negro da Baixada com apenas 16 anos. “Os jogos eram muito bonitos, porque a torcida era feita com as famílias que iam ver os jogos com sete, oito mil pessoas no estádio, incentivando pelo alambrado”, lembra o ex-jogador, que era zagueiro.

Com a campanha de 1989, segundo Ratinho, o Batel recebeu um convite do então presidente da Federação Paranaense de Futebol para jogar a Série A. Esse foi um período singular para o desenvolvimento do futebol do clube porque havia um acordo com o Atlético Paranaense, uma das principais instituições esportivas do Paraná, para que os jogadores que não “servissem” fossem emprestados para o Batel. “Com isso nós montamos grandes equipes de 1990 até 1994, conseguimos ficar entre as melhores equipes do estadual”, explica Ratinho, que se orgulha de ter visto seu clube de coração ficar entre os seis melhores nas campanhas de 1994 e 1995; o Batel ficou na elite do futebol paranaense durante sete anos, até 1997.

Torcida batelina é um dos pontos fortes do clube. Em 2018, os guarapuavanos compareceram aos jogos no Estádio Waldomiro Gelinski (Foto: Arquivo/Correio)

DECADÊNCIA

Conforme o clube começou a se desenvolver econômica e estruturalmente, ele passou a alçar voos mais altos - quem sabe maiores do que poderia manter. Essa é a visão de um dos jogadores da época, Vanderley Kinho, que permaneceu no clube de 1994 a 1995. Nesses anos, com a campanha e o time que o Rubro-Negro havia montado para o campeonato estadual, ele conseguiu o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro, sendo até hoje a única instituição esportiva da cidade a chegar tão longe. “Foi um período gostoso… nós jogamos contra equipes que hoje são muito grandes, como o Figueirense e a Chapecoense. Conseguimos passar pela primeira fase, mas caímos para o Operário do Mato Grosso na segunda fase”, explica o ex-jogador, que marcou seu primeiro gol como profissional contra o Paranavaí, fora de casa, no Estadual de 1995.

Esse foi o início da decadência do Batel, que até hoje não conseguiu se recuperar. Ratinho conta que na época os jogadores ganhavam até 15 salários mínimos, e era o clube que melhor pagava no Paraná. “Na empolgação do Álvaro de Matos e de outros diretores do clube, fomos disputar o Brasileiro jogando em Santa Catarina, Mato Grosso. Contratamos mais jogadores e tínhamos um plantel de quase 40 atletas treinando de manhã e à tarde. Infelizmente não conseguimos manter”.

Pouco tempo depois de ter caído no Brasileiro, o Batel acabou sendo rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense em 1997, ficando “de lado” pela administração do clube. “Ninguém queria montar a equipe depois disso. Então eu e o Antônio Carlos [presidente do clube na época] montamos um time e a comissão técnica no guardanapo, e em 1998 conseguimos subir novamente”, contou Ratinho.

As futuras gerações de guarapuavanos acompanham o time nos jogos (Arquivo/Correio)

JOGO

Sandro Laroca estava nesse time. Ele lembra como se fosse ontem de um jogo muito importante contra o Foz do Iguaçu. Com um plantel montado apenas para participar do que para buscar algo maior, como o próprio ex-jogador diz, o Batel jogou quase que inteiramente com jogadores da “casa”, aqueles que já faziam parte das categorias da base. “Era a semifinal e a nossa equipe era muito desacreditada, mas conseguimos encaixar e ir longe. Umas 7 mil pessoas estavam no Waldomiro Gelinski”, conta o ex-jogador.

Tudo o que o Batel precisava era ganhar no tempo normal e empatar na prorrogação, mas o Rubro-Negro da Baixada conseguiu vencer por 2 a 1 nos primeiros dois tempos e ainda arrancou 2 a 0 nas prorrogações. “A torcida invadiu o campo e foi muito importante, porque estávamos com muitos problemas de pagamentos. Lutamos para colocar o Batel onde ele merecia estar, que era a primeira divisão em 1999”, relembra com um sorriso no rosto, antes de complementar que o Foz do Iguaçu na época era um clube muito bom, com uma estrutura e investimentos “para subir”.

Porém, o dinheiro é algo que está intrínseco na administração do futebol. As cifras quase inimagináveis de hoje em dia mostram que quem não consegue manter a casa em ordem e arrecadar mais do que gasta, está fadado a encontrar grandes dificuldades. O Rubro-Negro da Baixada foi apenas um dos inúmeros clubes paranaenses que encontraram na economia seu maior revés.

Com passagem por clubes como São Paulo e Palmeiras, o lateral Lúcio é a grande contratação do Batel para a temporada de 2019, quando disputará a Segundona (Foto: Assessoria/Batel)

HOJE

Depois da emocionante subida para a elite do futebol paranaense em 1999, o clube não conseguiu se manter e foi rebaixado, continuando na divisão de acesso até 2001, quando deixou de disputar o Campeonato Paranaense. Seu retorno só aconteceu 13 anos depois, em 2014, quando disputou a “Terceirona” e conseguiu subir no ano seguinte.

Contudo, manteve essa gangorra, subindo e descendo ano após ano e, neste primeiro semestre, vai disputar novamente a Segunda Divisão, com planos de retornar à elite do futebol paranaense. O técnico Dudu Sales comandará o elenco de jogadores, que mescla jovens talentos e nomes experientes, como é o caso do lateral-esquerdo Lúcio, anunciado nesta semana. Ela já passou por equipes como São Paulo, Palmeiras e Grêmio (RS).

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