Guarapuava, 22 de setembro de 2019
#curta!

Lançados em 2019 pelo selo Graphic MSP, os gibis “Mônica – Tesouros”, de Bianca Pinheiro, e “Piteco – Fogo”, de Eduardo Ferigato, apresentam duas personagens femininas de grande impacto para suas respectivas narrativas

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Uma é criança e conhecida pela força acima da média; outra é adolescente e tem a astúcia como grande elemento. Em comum, ambas são a espinha dorsal de aventuras diversas.

Lançados em 2019 pelo selo Graphic MSP, os gibis “Mônica – Tesouros” e “Piteco – Fogo” apresentam duas personagens femininas de grande impacto para suas respectivas narrativas.

Protagonista do material produzido por Bianca Pinheiro, Mônica é aquela conhecida figura dos gibizinhos criados por Mauricio de Sousa: baixinha, dentuça, geniosa e dona da rua. Sempre com seu coelhinho Sansão a tiracolo. Não por sinal, a menina dá nome à “Turma da Mônica”.

Mas, na versão de Pinheiro, outras características são trabalhadas em uma história que se passa num hotel-fazenda. Neste local, Mônica é levada por seus pais para passar férias de inverno.

Como é um período de baixa demanda, o espaço é quase exclusivo da família da “coelhinha”. No entanto, para surpresa da jovem, aparece um garoto que transforma sua estadia num espaço de criatividade e diversão. Até mesmo para os pais da Mônica, que vêm de uma situação complicada em “Mônica – Força” (2016), também escrito e desenhado por Bianca Pinheiro.

A aventura rural de “Tesouros” caminha para um desfecho redentor, em que a personagem mais famosa da Turminha desperta para o que é mais precioso na vida. É uma narrativa meio epifânica e muito bem contada pela autora, uma carioca criada em Curitiba (PR) desde os seus 5 anos de idade.

Detalhe da capa de "Mônica - Tesouros" (Foto: Reprodução)

PRÉ-HISTÓRIA

Já em “Piteco – Fogo”, o mais interessante na narrativa escrita e desenhada por Eduardo Ferigato é a importância do elemento feminino para a resolução do nó dramático.

Apesar do nome do gibi, é a filha de Piteco e Thuga, a adolescente Thala, que tem papel fundamental no conflito desencadeado pela invasão de uma tribo desconhecida ao local onde está o pessoal de Lem.

Quase toda a população da aldeia é escravizada, incluindo aí o caçador Piteco, sua esposa e vários personagens conhecidos dos leitores habituais de Mauricio de Sousa. Thala e a Ogra, por exemplo, conseguem escapar dos adoradores do fogo. Enquanto a primeira utiliza a inteligência, a outra desce o braço nos inimigos.

Tendo que comandar a revanche, a filha de Piteco lança mão da astúcia para vencer seus adversários.

Como se passa na pré-história, é uma aventura em que o fogo ganha camadas de leitura: elemento físico e cobiçado, pois a tribo invasora utiliza a “água negra” (o petróleo) para escravizar outras aldeias; e também com o sentido simbólico, ou seja, de dominar o conhecimento e as emoções.

Thala (no detalhe) é filha de Piteco e Thuga (o trio no quadrinho maior) - Foto: Reprodução

SELO

Assim, tanto Mônica quanto Thala são “meninas poderosas” para o desenvolvimento de suas respectivas histórias em Graphic MSP.

A principal característica desse selo é dar liberdade para os autores convidados recriarem os clássicos personagens das histórias de Mauricio de Sousa. Diferentemente dos gibis mensais da Turminha, a proposta é uma abordagem mais complexa, dotada de camadas de leitura, para leitores adultos.

Até agora, são 23 livros produzidos nesse formato de “narrativas fechadas” (que não têm continuação seriada), publicados em edições de luxo (com papel especial e opções de capas) e feitos quase sempre por quadrinistas da nova geração. O editor do selo Graphic MSP é o jornalista e especialista em HQs Sidney Gusmão, o Sidão.

Fechando o ano de 2019, a previsão é do lançamento de mais dois livros: em setembro, a estreia de Tina, que será produzida pela catarinense Fefê Torquato; e, durante a CCXP em dezembro, o segundo álbum do Capitão Feio, em uma produção dos gêmeos Magno Costa (roteiro) e Marcelo Costa (arte).

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